Lembrando Percursos Beneditinos GAMT - Por Terras de Celorico de Basto

Na entusiasta comitiva que nos acompanhou nesta visita a Celorico, houve participantes que exteriorizaram interesse em aceder a uma informação mais detalhada sobre este cenóbio beneditino…
Como o prometido é devido, aqui vai!


Mosteiro de S. João Baptista de Arnoia da Ordem de São Bento

A edificação do Mosteiro de São João de Arnoia, como a de outros mosteiros beneditinos, não é consensual. Para uns autores, teria sido edificado em 995 pelo cavaleiro francês, Arnaldo Baião,
Fachada do Mosteiro de S. João de Arnoia
companheiro de Henrique de Borgonha, o futuro conde D. Henrique; para outros, nomeadamente para o beneditino Frei Leão de S. Tomás, teria sido fundado por Múnio Moniz, alcaide do castelo de Arnoia, um cavaleiro de honrada estirpe e tronco familiar de D. Egas Moniz, cujo túmulo, que se encontra no claustro do mosteiro, tem a seguinte inscrição: V.F.D. Munius Moniz H.I. in S. Assisterio Era 1072 ou seja “D. Múnio Moniz aqui jaz no seu mosteiro…na era de 1072” (ano de Cristo de 1034).
Independentemente da sua fundação ou reedificação, é sabido que nesses tempos primitivos o pequeno cenóbio era já detentor de numerosos bens, quer imóveis emprazados - casais, herdades e quintãs - quer monetários, e que a sua comunidade seguia a
Túmulo de Múnio Moniz no claustro do Mosteiro
observância da Regra de S. Bento com tal desvelo que os seus monges de tão apartados viverem do mundo e tão vizinhos com Deus eram chamados de monges angélicos. 
Com o rolar dos tempos, porém, estes tempos de prosperidade vão acabar. Se no tempo de D. Dinis, em 1320, o mosteiro de Arnoia ainda é taxado em 700.00 libras, no século seguinte a delapidação material do mosteiro acentua-se gravemente, acompanhando a crise demográfica, económica e social que, a partir de meados do século XIV, se instalou em Portugal. Com a decadência material, instala-se a crise espiritual, revelando-se a falta de observância, a indisciplina, a relaxação e o vício. A maior parte das casas religiosas não se podem manter economicamente e, segundo um parecer da época, as oras nom se dizem em ellas nem faciam o oficio de Deus. Em 1375, numa visita pastoral ao mosteiro de Arnoia, o arcebispo de Braga faz vários reparos à vida comunitária que aí era levada, ameaçando de excomunhão o abade e os monges se não fossem cumpridas as recomendações. Os efeitos não se devem ter sido muitos pois, no primeiro quartel do século XV, o mosteiro viveu uma deplorável situação criada pelo desregramento moral e incontrolada ambição do abade D. Luís Martins, que conservava uma concubina na clausura e havia admitido um filho seu para monge. Só em 1441, D. Luís Martins acaba por renunciar às funções de abade, sendo escolhido para lhe suceder Frei Gil, monge de Pombeiro.
Neste quadro de vida demasiado terrena, o Mosteiro de S. João de Arnoia, em 1527, segundo as inquirições de D. João III, tinha 2 cercas muradas, uma com vinha oliveira e horta e a outra, a cerca da Banduja, com pinheiros, castanheiros, carvalhos, urze e matos e uma quinta anexa, a quinta da Gandara, toda murada, onde se produzia vinho, pão, azeite e tinha mato e algumas carvalhas. Havia água da Fonte Rica e tinha 3 engenhos, 1 de azeite e 2 de pão, um alveiro e outro de segunda. 
Um pouco mais tarde, em 1550, João de Barros, na sua GEOGRAHIA D’ ENTRE DOURO E MINHO E TRÁS-OS- MONTES, quando fala do concelho de Celorico de Basto, onde há três mil vezinhos e tem hum castello em hum monte alto que he mui forte e para boa deffenção, diz que o Mosteiro de Arnoia da Ordem de São Bento tem de renda duzentos mil reis e está junto a um vale a que chamão val de Bouro onde há muito pão e vinho maduro, muitas frutas e muito gado, aves e mel e algum azeite.
A partir da segunda metade do século XVI, a vivência do Mosteiro de S. João de Arnoia vai sofrer profundas alterações. A reforma monástica-beneditina portuguesa, começada há já alguns anos, atingira o seu ponto máximo com a criação, em 1569, da Congregação dos Monges Negros de S. Bento dos Reinos de Portugal; a realização do 1º Capítulo Geral da congregação; a nomeação de Frei Pedro de Chaves como Abade Geral e a escolha do Mosteiro de Tibães para Casa-Mãe. O Mosteiro de S. João de Arnoia, apesar de estar agregado à congregação desde 1576, continuou sob administração de abades comendatários até quase ao final do século e à eleição do seu primeiro abade trienal – Fr. Bento da Paz.
Novos tempos começaram, então, para o velho Mosteiro de S. João de Arnoia quer ao nível do espiritual, quer ao nível do temporal. Gradualmente, os foros, quer em géneros, quer em dinheiro, mercê de novos emprazamentos e de uma melhor administração, vão aumentando. A comunidade que, em 1569, era apenas de 3 monges, aumenta, no século XVII, para 6/7 membros.
O dia- a- dia do mosteiro, com as novas exigências orgânicas e funcionais, vai originar o fim da velha edificação medieval.
Claustro quadrado com chafariz
A partir dos anos 30 do século XVII a administração beneditina começa com uma vasta campanha de obras, de renovação e de obra nova, que passou pelas celas dos priores; dormitórios; hospedarias; secretas; claustro de 6 colunas e 3 janelas rasgadas com grades de ferro e balaustres pintados e dourados em cada lanço e com um chafariz no centro; escadas de pedra e lavabos; portarias; despensa; cozinha e forno; recibo, estrebarias e casa da renda. Na igreja e sacristia a intervenção é muito significativa. Começam por fazer o arco do cruzeiro em cantaria; picam as paredes dos frisos antigos e rebocam-na; intervêm no pórtico da igreja que tinha caído e fazem um coro novo todo de cadeiras com seus espaldares; montam um retábulo novo para o altar-mor, uma obra-prima que chegou a 110.000 rs de custo, e mais dois para os altares colaterais do mesmo lote que custaram 52.000 rs.
Altar-mor e Arco do cruzeiro em cantaria
Testemunhos destas intervenções são as duas epígrafes existentes no edifício: uma com a data de 1639, inscrita numa das janelas da igreja e outra de 1688, inscrita no chafariz do claustro e na verga de uma das portas que comunicam com o claustro. Também o terreiro é alvo de modificação profunda, tendo sido fechado com paredes altas.
Nas cercas, reconstroem muros e fazem outros de novo; conduzem águas; edificam moinhos e engenhos; plantam vides; oliveiras, carvalhos, castanheiros e pomares. No rio Tâmega levantam açudes e concertam pesqueiras.
Ao longo de toda a metade do século XVII o mosteiro ficou sempre desempenhado e desobrigado sem dívida alguma.
Com o dealbar do século XVIII a comunidade cresce para um número que oscila entre os oito e os desaseis monges e os foros em dinheiro rondam os 400.000 reis. 
Nas Memórias Ressuscitadas de Entre-Douro-e-Minho, escritas por Francisco Craesbeeck em 1726, refere-se a igreja do mosteiro como sendo uma das mais antigas de região de Basto, ressalvando o facto de ter tido obras recentes, especificando cujas officinas mostrão ser obra moderna com 17 cellas e hum claustro quadrado de 110 palmos de comprido, com 5 arcos en quada quadra, firmados em 7 columnas com 3 janellas en sima de cada banda.
Também o inquérito de 1732, mandado realizar, no reinado de D. João V, para elaboração do Diccionario Geographico do Reyno de Portugal, revela que a igreja da Paróquia dedicada a S. João Bautista tem três altares, o maior com a imagem de Santo Patrono e de S. Bento; e dois mais, um dedicado ao Nome de Jesus, e outro a Nossa Senhora do Rosário.
Igreja de nave única e quatro altares
A partir de 1743 regista-se um novo período construtivo no mosteiro que abrangerá todo o edificado desde a igreja e sacristia, ao terreiro e adro, passando pelas alas conventuais. A igreja é toda reformada recebendo novo revestimento de talha à moderna; abóboda de estuque com friso de mármores brancos e azuis; tribuna e retábulos novos, púlpito; sanefas; grades; bancos; pia batismal; guarda vento novo e muito mais…
As Memórias Paroquiais da Congregação de 1758 mostram já o resultado desta campanha de obras: 
O edificio, suposto não hé sumptuozo, consta de trez dormitorios que formam os lados ao Nascente Meyo dia e poente. Ao do Norte está a igreja. Hé esta de huma só nave e se compoem com quatro altares. No da cappella mor ao lado direyto da tribuna está a imagem de Sam João batista, orago do Mosteyro e freguezia. Ao lado esquerdo a imagem de Sam Bento. A quem os povos buscam com frequencia, e em concurso grande nos seus dias. O coleteral do Evangelho, hé dedicado a Nosa Senhora do Rozário. O da epistolla a Santa Anna. No corpo do Cruzeyro há outro altar, em que se venera huma devotíssima imagem de Christo crucificado, e no mesmo altar está o santissimo…
Dependências monacais - lar de terceira idade
Com o aproximar do fim do século a situação do mosteiro vai-se degradando. Os foros são sempre os mesmos, os encargos aumentam e o número de monges diminui. Esta realidade fica bem expressa no capítulo geral de 1786, realizado no Mosteiro de Tibães, que anuncia a sentença de morte do mosteiro:
O Mosteiro de S. João de Arnoia, situado no Concelho de Basto da Província do Minho […] tem de renda seis mil cruzados; nele, pela sua situação em uma montanha áspera, pela ruína em que se acha o edifício, que carece inteiramente reedificado de novo e pelo pouco n.º de monges que o habitam, não pode haver aquela regularidade que é necessária para conservar em seu vigor a disciplina monástica; por isso parecia ser mais útil aplicar das suas rendas cinco mil cruzados para sempre, ao Colégio da Estrela, ficando o resto para no dito Mosteiro, cuja Igreja é paroquial, se sustentar um monge escolhido para vigário e outro para companheiro, e Procurador que cobrasse as rendas e as remetesse ao dito Colégio.
É o fim da autonomia do mosteiro, que passa a priorado, até 1821, data da sua restauração.
Depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi entregue à paróquia de Arnoia. Em 1867,
Ala conventual ocupada pelo Hospital Civil de São Bento
o rei D. Luís aprovou os estatutos da Santa Casa da Misericórdia de São Bento de Arnoia, que no ano seguinte foi oficialmente fundada, instalando-se no antigo cenóbio. Parte da ala conventual foi ocupada pelo novo Hospital Civil de São Bento.
No primeiro quartel do século XX, o hospital atravessou dificuldades financeiras e em 1918 encerrou as portas, reabrindo no ano de 1930, depois de um grande esforço da população e dos provedores da Misericórdia para angariarem fundos para a instituição. Em 1982, as instalações hospitalares foram deslocadas para o novo centro de saúde de Celorico de Basto, sendo esta zona das dependências monacais devolvida à Misericórdia. Posteriormente, a Santa Casa fundou, no espaço do mosteiro, um lar de terceira idade e um jardim infantil, que se mantêm até hoje.
Coro de cadeiras e espaldares
O atual Mosteiro de S. João de Arnoia é composto pela igreja de planta longitudinal, à qual se adossam lateralmente as dependências monacais. De nave única, o templo apresenta uma fachada de aparelho de granito, com portal principal de moldura simples, em arco rebaixado, encimado por um nicho com a imagem de São João Baptista e duas janelas retangulares, também de moldura em arco rebaixado. O conjunto é rematado por frontão triangular com dois fogaréus laterais e uma cruz no topo. Do lado esquerdo ergue-se a torre sineira fechada por remate piramidal. No interior, destacam-se o cadeiral de talha, o tímpano esculpido com um Agnus Dei, proveniente da escola de Rates, e uma representação de São Miguel atacando a serpente. 
Destacando-se pelas fachadas pintadas de branco, as dependências monacais organizam-se em torno de um pátio, dividindo-se em dois registos, pontuados pela abertura de portas e grandes janelas de sacada. O claustro tem dois pisos, sendo o primeiro composto por arcada assente sobre colunas toscanas e o segundo, fechado, rasgado por janelas de sacada com guardas de ferro. Ao centro da quadra existe um chafariz assente sobre três degraus, com tanque recortado e duas taças circulares, suportadas por coluna e rematadas por pináculo.
Nas antigas alas conventuais, distribuem-se as instalações da Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração e Manutenção de S. Bento de Arnoia.
A memória beneditina perdura nestes espaços na escada de pedra entre pisos; nos vãos sequenciais das portas e janelas; nos tetos abobadados e no salão nobre com teto em masseira com as armas beneditinas.

Sócia do GAMT nº 1 – Aida Mata



Claustro e torre da igreja

Sacristia


Lavabo


Escadas de pedra (pormenor)




Castelo românico de Arnoia


Castelo românico de Arnoia (interior)

Rua da Villa de Basto


Casa da Botica

Castelo de Arnoia e pelourinho

Restaurante Sabores da Quinta


Casa do Campo

Jardim da Casa do Campo com planta rectangular

Jardim com chafariz de tanque circular com repuxo

Amigos GAMT na Igreja do Mosteiro

Lembrando Percursos Beneditinos GAMT - Por terras de Bande e de Celanova na Galiza

O monge São Rosendo, figura proeminente da expansão beneditina na Europa, foi lema para dois itinerários GAMT: Santo Tirso e Galiza.
Na visita ao Mosteiro de Santo Tirso apercebemo-nos da devoção a São Rosendo e falámos do seu nascimento no ano de 907 em S. Miguel do Couto, concelho de Santo Tirso.
Segundo o beneditino Frei Geraldo Coelho Dias, São Rosendo foi uma das figuras centrais do monaquismo do norte de Portugal e da Galiza a par de S. Frutuoso e S. Martinho de Dume. Fundou o Mosteiro de S. Salvador de Celanova, dinamizador da cultura e o crescimento dos reinos cristãos no limiar do ano mil, além de participar na fundação de outros cenóbios.
Prosseguindo então na senda de S. Rosendo, o 26º Percurso Beneditino GAMT conduziu-nos até à Galiza, começando pelo simpático município de Celanova, no dia 20 de julho do ano em curso. 
Mosteiro de S. Salvador de Celanova
Pelas onze horas, orientados por uma guia do posto de turismo local, iniciámos a visita ao imponente Mosteiro de S. Salvador de Celanova, outrora um grande centro monástico. Construído em tempos da
alta idade média, viu alterada a sua fisionomia arquitetónica durante os séculos XVI, XVII e XVIII seguindo as linguagens renascentistas, barrocas e neoclássicas, presentes na igreja, coro alto, sacristia, claustros e alas conventuais.
Depois de apreciada a fachada principal em linha reta, virada à espairecida Praça Maior, entrámos para o claustro velho de colunas compactas, coberto por atrativa abóbada de arquitetura gótica. No piso superior surgem portas-sacadas ricamente emolduradas num estilo barroco e uma grande variedade de gárgulas por onde escoam as águas pluviais.
Altar-mor da igreja do Mosteiro
Numa igreja magnífica, para além de muitos outros detalhes, os visitantes deliciaram-se com o retábulo barroco da capela-mor de finais do século XVII profusamente decorado com ícones religiosos. Estranharam a existência de um coro baixo central, formando uma grande sala retangular, com um cadeiral magnífico, onde se narra a vida de S. Bento e S. Rosendo, defendido por grades e portas primorosamente esculpidas de imagens.
Num processo contínuo, passámos pela ampla sacristia decorada num tom róseo com altar e extensos arcazes. Subimos ao espaçoso coro alto com um magnífico órgão de tubos que proporciona frequentes momentos musicais em concertos memoráveis e descemos de novo ao piso térreo para visitar uma pequena capela pré-românica situada na antiga horta do mosteiro.
Perdura, dos tempos medievais, esta capela de S. Miguel, monumento nacional desde 1923, o exemplo mais paradigmático e completo da chamada arquitetura moçárabe, com a estrutura cruciforme, os três espaços interiores separados mediante arcos de ferradura, cachorros em forma de rolos, ajimezes, modelos usados também em S. Frutuoso de Montélios em Real, Braga. 

Conhecida a arte e memória beneditina presente no Mosteiro de Celanova, rumámos de seguida a Vilanova dos Infantes para conhecer a igreja paroquial do século XVII.
Igreja Vilanova dos Infantes
Ali, esperava-nos outro guia, o padre Dom António. No interior da igreja, para além de outros pormenores, apresentou-nos um Cristo crucificado em madeira talhada, de origem românica, que poderá ser procedente do desaparecido mosteiro feminino de Santa Maria, fundado pela mãe de San Rosendo e que terá existido naquele local. Falou-nos também da lenda, o cristal com a imagem de Nossa Senhora, achada por um lavrador no século XVII. A designada Virgem de Cristal, uma réplica depois do roubo de 2015, mede apenas dois centímetros e está colocada dentro de una peça de cristal maciço em forma de ovo.
O delicioso almoço no formato de piquenique estava marcado para o logradouro do santuário edificado no séc. XVIII em honra a Nossa Senhora do Cristal. Como é habitual, foi farto, muito variado de saborosos petiscos e acompanhado por boa disposição. A findar o repasto, de uma forma muito breve, tivemos a oportunidade de visitar a igreja, edifício barroco, onde acabava de terminar uma cerimónia nupcial.
Após o rápido “banquete”, fomos ao reencontro de outra memória - a Via Nova, ou Geira, cujo percurso português tão bem conhecemos com a visita ao Museu da Geira, no nosso 19º Percurso, em julho do ano transato.
Centro de Interpretação Aquae Querquennae
Dirigimo-nos ao Centro de Interpretação Aquae Querquennae-Vía Nova, ponto de informação sobre o complexo arqueológico romano Aquis Querquennis situado em Porto Quintela, a oito quilómetros de Bande. Recepcionados por uma simpática guia que nos fez a necessária contextualização da civilização romana, percorremos calmamente o centro interpretativo, bem organizado e com bastante informação.
A escassos metros fica o acampamento romano, ocupado entre o último quartel do século I e meados do século II, construído, provavelmente, para vigiar a Via XVIII ou Via Nova, que comunicava Bracara Augusta e Astúrica Augusta. Aqui, apenas realizámos uma visita individual, pois o espaço não estava totalmente visitável devido ao nível ainda elevado da água da barragem das Conchas que infelizmente cobre as ruínas durante boa parte do ano.


Igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Mas o tempo sobrante não foi dado como perdido. Numa previsão de Plano B, fizemos um diminuto desvio na viagem de regresso para visitar a pequena igreja visigótica de Santa Comba de Bande, a única desta época que se conserva na sua integridade. Trata-se de um edifico de um mosteiro pré-românico aonde se trouxeram as relíquias de São Torcuato, discípulo do Apóstolo Santiago.
Gentilmente, a pessoa responsável pela chave acedeu ao pedido de visita e abriu-nos a porta para podermos desfrutar de uma visão singular do seu interior. Este, num formato retangular, termina numa capela-mor cuja abóbada contém pinturas murais. Foi-nos confidenciado que, junto à cabeceira, do lado esquerdo, a dependência lateral seria uma cela do período de uso monástico do templo.
E lá retornamos a casa, um pouco mais tarde que o previsto, pois o entusiasmo pelas descobertas era muito grande, não podendo faltar os imprescindíveis registos fotográficos destes momentos únicos para a maioria destes verdadeiros amigos que nos acompanharam nesta primeira viagem por terras galegas.

Sócio do GAMT nº 2


Claustro do Mosteiro

Abóbada de arquitetura gótica
Claustro Mosteiro de S. Salvador
Sacristia da Igreja do Mosteiro
Órgão de tubos


Mosteiro de S. Salvador (traseiras)
Capela de S. Miguel - exterior
Interior Capela de S. Miguel
Igreja Vilanova dos Infantes (interior)
Cristo românico
Igreja Virgem do Cristal (exterior)
Igreja Virgem do Cristal (interior)
Imagem da Virgem do cristal
Introdução à exposição no Centro de Interpretação Aquae Querquennae
Exposição a civilização romana
Acampamento romano
Igreja visigótica de Santa Comba de Bande (traseira)
Capela-mor igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Teto da Capela-mor igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Piquenique
Foto de grupo

18 Olhares Sobre André Soares

No passado dia 3 de dezembro do ano transacto, Eduardo Pires de Oliveira, associado do GAMT, coordenador e coautor de uma edição onde 22 investigadores apresentam varias perspectivas sobre André Soares, fez a apresentação pública dessa colectânea de textos que reuniu num livro acabado de editar sob o titulo "18 Olhares sobre André Soares", esta teve lugar na igreja de São João de Souto, coincidindo com o dia e o local em que André Soares foi baptizado. Partilha-se agora aqui os textos dessa apresentação que foram publicados na secção Cultura do Diário do Minho, de 15 de Janeiro 


                 Consultar aqui artigo publicado no DM em 15 de janeiro de 2020


PRÉMIO GONÇALO RIBEIRO TELLES DISTINGUE TERESA ANDRESEN


Teresa Andresen, associada do GAMT, é a vencedora da 1ª edição do prémio Gonçalo Ribeiro Telles. A arquitecta paisagista foi distinguida pela sua intervenção relevante nas áreas da sustentabilidade ambiental e da paisagem urbana em Portugal.
Este prémio é uma iniciativa da Casa Real, Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, Ordem dos Engenheiros e da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagísticos. Para além de homenagear a visão sistémica e a intervenção cívica do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, esta distinção irá eleger anualmente a personalidade que seja protagonista de intervenções vanguardistas e transformadoras no Ambiente e na Paisagem, com um percurso de vida fortemente ligado ao serviço do bem comum.
Com um vasto percurso profissional e académica, Teresa Andresen foi uma das fundadoras do curso de Arquitectura Paisagista na Faculdade de ciências da Universidade do Porto (FCUP). Foi também membro do Conselho Científico da Agência Europeia de Ambiente, de 2002 a 2008. Em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e sob coordenação de Bianchi de Aguiar, elaborou a candidatura da Região Demarcada do Douro a património Mundial da UNESCO. Mais recentemente elaborou o Plano de Gestão da Paisagem Protegida do Parque das Serras do Porto e coordenou a candidatura do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, a Património Mundial da UNESCO.
FOTO: DR
Atualmente, Teresa Andresen é presidente da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos e membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, tendo anteriormente dirigido o Instituto da Conservação da Natureza (1996-1998), o Parque da Fundação de Serralves (2007-2009) e o Jardim Botânico do Porto (2007-2014).
O prémio, que se traduz num troféu em forma de árvore da autoria do escultor Luís Cruz, foi entregue numa cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, que editou em 2005 um catálogo de uma exposição sobre arquitectura paisagista em Portugal nos anos 1940 a 1970 com textos de Teresa Andresen, a entrega contou também com as presenças do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, da presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Manuel Serra.

À procura dos serões perdidos d' aldeia

No dia 8 de Setembro do mês passado, no Mosteiro de Tibães, demos início à continuidade do projecto de memória da freguesia de Mire de Tibães. Este ano, o tema escolhido foi Serões da Aldeia com o subtema "Serões em Mire de Tibães nos séculos XIX e XX".
Este projecto, apresentado no formato de tertúlia, contou com a presença do escritor e dramaturgo Fernando Pinheiro. Temos muito gosto em partilhar a sua apresentação publicada na secção Cultura do Diário do Minho, de 9 de Outubro


                 Consultar aqui artigo publicado no DM em 9 de outubro de 2019





Conhecer o Mosteiro de Tibães 1834/1986 - Sinopse de um Curso

O Mosteiro de São Martinho de Tibães tem vindo a oferecer temas de conversa e descobertas que vão aguçando e alimentando a curiosidade de pessoas que de alguma forma se interessam pelo património. Nestas digressões sobre este tesouro do património português, encontramos pessoas implicadas na sua difusão e que, por isso, sentem a necessidade de pôr em comum os seus autênticos e importantes achados.
Vem esta reflexão a propósito do curso desenvolvido no Mosteiro de Tibães, sob iniciativa do GAMT e em colaboração com a DRCN, no presente ano, ao longo dos meses de fevereiro, março, abril e maio.
Seguindo o modelo de conferência em que vários especialistas tiveram a oportunidade de expor os seus conhecimentos decorrentes das suas aturadas investigações, abordaram-se temas modulares relacionados com a desamortização dos bens das ordens religiosas: Primeiros sinais na Congregação Beneditina Portuguesa, proferida por Dr. Paulo Oliveira, Mestre em História Contemporânea, área de Igreja e Sociedade; A extinção do Mosteiro de Tibães, por Dr. Paulo Oliveira; A Desamortização em Portugal, por Aurélio de Oliveira, Professor Catedrático convidado do ISMAI; Prática religiosa e social, por Professor José Carlos Peixoto, Mestre em Educação; Monteiro's, Marques's e companhias, por Aida Mata, investigadora do Mosteiro de Tibães e em história beneditina.
Terminou este curso no formato de mesa redonda, com a presença de alguns intervenientes no processo de aquisição do Mosteiro de Tibães, onde se discutiu O Renascer de um Património. Por entre a cinquentena de participantes, surgiram questões, levantadas por opinados participantes, relacionadas com a recuperação e manutenção do vasto património do mosteiro que inclui a cerca, o edificado e o seu escasso, mas não menos valioso, espólio.
Também em 2014, o GAMT produziu um projeto didático similar, que decorreu durante o ano de 2015, com o curso Conhecer o Mosteiro de Tibães - séculos XVII e XVIII. Naquele conjunto de matérias abordaram-se aspetos artísticos, culturais e vivenciais de um espaço – o Mosteiro, o Couto de Tibães e a comunidade dos beneditinos.
Com o material produzido para esse curso foi editada, em 2017, em parceria com a Câmara Municipal de Braga/Revista Bracara Augusta e o apoio mecenático de empresas e entidades da região, uma monografia. Aproveitamos para lembrar aqui os nossos mecenas, em jeito de renovado agradecimento, pelo empenho demonstrado no apoio à investigação histórica: as empresas Enermeter - Sistemas de Medição Lda., Posterede-Postes Elétricos S.A; Casais - Engenharia e Construção, S.A e as entidades Irmandade de S. Bento da Porta Aberta e Junta de Freguesia de Mire de Tibães.
Ao longo dos sete anos de vida ativa do Grupo de Amigos do Mosteiro de São Martinho de Tibães, uma atividade marcante da associação tem sido os percursos beneditinos, com viagens pela história da Ordem de S. Bento. Houve percursos específicos cuja temática se centrou no pecúlio do Mosteiro de Tibães disperso por diversos espaços, relacionado maioritariamente com a desamortização dos bens religiosos. Estaremos a lembrar-nos de percursos que se denominaram "Tibães em Braga", realizados em fevereiro e maio de 2015.
Visitámos espaços religiosos, culturais e públicos que nos falaram da história de Tibães e da congregação beneditina. Num dos percursos, fomos à Sé de Braga, onde reencontrámos alfaias e paramentaria; estivemos na Biblioteca Pública e no Arquivo Distrital onde se conserva parte da livraria de Tibães, bem como do seu cartório, um quadro com a carta de Couto e os retratos do Conde D. Henrique e da Rainha D. Teresa e terminámos na sala de entrada da Reitoria no Largo do Paço para vermos os dois painéis de azulejos oriundos do claustro do cemitério do Mosteiro.
Noutro itinerário, visitámos o Museu Pio XII, onde nos foi proporcionado um momento para apreciar diversos capitéis coríntios oriundos de Tibães e ainda duas imagens dos vultos de S. Bento e S. Bernardo em madeira dourada e policromada. Continuámos pela igreja do Hospital de São Marcos onde descobrimos, no coro alto, o órgão de tubos que, segundo especialistas, terá vindo do coro baixo da Igreja do Mosteiro de Tibães.
No dia 13 de outubro no ano passado, no 21º percurso, fomos à Biblioteca Pública Municipal do Porto, que recebeu uma parte do espólio da livraria do Mosteiro de Tibães. Foram apreciadas algumas das melhores peças provenientes de Tibães pela mão de Alexandre Herculano.
A enumeração da visita dos espaços atrás referidos representa de alguma forma a lógica, a fundamentação e a premência da realização do curso Conhecer o Mosteiro de Tibães 1834/1986.
No fecho do curso, durante a mesa redonda, ficou evidente e concluiu-se que a recuperação do Mosteiro de Tibães não estará ainda terminada. Vieram a talhe de foice o espaço do cemitério paroquial, a torre sineira e o órgão de tubos do coro alto.
Quanto ao órgão, recorda-se a realização da tertúlia “Memórias da Freguesia de Mire de Tibães à volta do Órgãos de Tubos” no ano de 2015, por sinal muito concorrida, e a tentativa da candidatura ao orçamento participativo da Câmara Municipal de Braga com o objetivo de concretizar o seu restauro. Criou-se uma onda de unidade em torno de um elemento do património musical que foi, na altura, insensivelmente refreada. Não se verificou a necessária anuência da tutela, a DRCN, e o processo não avançou. Já passaram quatro anos e permanece a desaprazível situação de um aparente e doloroso abandono.
Na tertúlia, comentou-se que, apesar das tentativas de envolvimento da população local com o mosteiro, se verifica o seu afastamento e divórcio. Talvez a resposta seja simples: sempre que os tibanenses abraçam uma causa em torno do seu património, estes sentem rejeição das suas ideias sem uma cabal e por vezes prudente justificação. Se pensarmos com algum cuidado, o cemitério, a torre sineira e o órgão são exemplos de elementos essenciais que fazem parte do quotidiano da comunidade e que não deveriam ser menosprezados.
Estes cursos e mesas redondas mostraram-se extremamente úteis por ocasionarem uma benéfica reflexão e confronto de ideias. A última parte do Conhecer o Mosteiro de Tibães foi mais além, possibilitando desfazer alguns mitos e erros sobre a venda pública dos bens do mosteiro. Todos ficamos a ganhar com a sempre desejada clarificação de conhecimentos.

Sócio do GAMT nº 2


Paulo Oliveira - A extinção do Mosteiro de Tibães

Aurélio de Oliveira - A Desamortização em Portugal

José Carlos Peixoto - Prática religiosa e social

Aida Mata - Monteiro's, Marques's e companhias

A mesa redonda

Assembleia atenta

Participação do público








Chafariz no jardim de S. João


O final do curso e a pausa para café