Ao Encontro de Patrimónios – Em Terras da Galiza: Ourense e Mosteiro de S.ta Maria de Montederramo na Ribeira Sacra, 13.jun.2026

1ª Visita (manhã) - MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE MONTEDERRAMO


Partimos de Tibães e da cidade de Braga em direção a Montederramo, na Ribeira Sacra. A meteorologia apontava para um dia propício a uma boa viagem pelo património, com temperaturas elevadas, como as sentidas na cidade de Ourense à tarde.
Montederramo é nome de concelho, de freguesia (S.ta Maria) e de Mosteiro, na Ribeira Sacra, Província e Diocese de Ourense.
O Mosteiro, situado a cerca de 920 m de altitude e junto ao rio Mao, foi um dos conjuntos monásticos mais importantes da Galiza: dinamizador da cultura, da agricultura, da pecuária em terras de Ourense, de Lugo, de Portugal e de Léon.
De acordo com os dados disponíveis, começou por ser um “pequeniño" mosteiro beneditino medieval dedicado a San Xoán na “Rovoeyra Sacrata”. Com o tempo é trasladado e integrado na Ordem de Cister (*), dotado de uma estrutura monumental. No séc.s XVI e XVII, com a prosperidade da época, houve renovação dos edifícios e da igreja.

Na fachada norte do mosteiro são visíveis os sinais do período em que o imóvel foi propriedade de privados que aí desenvolveram atividades económicas.
A fachada da igreja, em ângulo reto com a do mosteiro, mas mais alta, é uma das grandes obras da arquitetura renascentista galega, constituindo, com a restante construção, um dos melhores exemplos do estilo herreriano (sobriedade, geometria, quase total ausência de ornamentação). Uma grade em madeira separa o espaço destinado ao público do restante templo, o qual, com planta basilical em cruz latina, é constituído por três naves, o retábulo-mor em alto-relevo em madeira, retábulos laterais, coro alto restaurado, cúpula com lanterna sobre o cruzamento. Seu patrono é S. Martinho de Tours e foi elevada à categoria de basílica em 1887. Atualmente está desativada de culto ou liturgia.
O mosteiro é constituído por dois claustros (regular ou processional e o da hospedaria). O regular serviu, entretanto, de colégio público de educação primária. Nos finais do séc. XVI, com o estabelecimento de um Colégio de Artes e Filosofia, o mosteiro tornou-se a Casa Central da Ordem Cisterciense.

Nomes importantes ficaram ligados às memórias de obras neste mosteiro: para além da citada D. Teresa de Portugal, Mateo de Prado (retábulo-mor, lateral, medalhões, mesas de altar…), Juan de Tolosa (arq. e jesuíta que trabalhou nas obras do Escorial), Alonso Martínez (português de nascimento e auriense – obras no coro alto).
O Mosteiro de Montederramo, símbolo do antigo poder deste território da Ribeira Sacra, foi declarado Bem de Interesse Cultural em 1951 e comemorou o 900º aniversário de “Revoira Sacrata”.
O paleógrafo Ramón Lorenzo é autor da “Colección documental do mosteiro de Montederramo” (Consello da Cultura Galega, 2019), uma extraordinária obra conseguida em cerca de trinta anos de trabalho, constituída por 1906 documentos medievais deste mosteiro, do intervalo entre o ano de 1124 e meados do séc. XVI.
Em informação para caminheiros, junto ao mosteiro passa a via pedestre PR – G 266 - Rota das Aldeias de Montederramo, um “sendeiro” com interesse histórico, paisagístico, artístico, recreativo (5h 30’, 519 m de desnível, 17,7 km, circular)
(*) há documentação que atribui a Teresa de Leão/Condado Portucalense a refundação do mosteiro na “Rivoira Sacrata” (séc. XII).

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Organização, transporte e monitorização das visitas (com guia local):
GAMT – Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães
Texto e fotos: Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel




2ª Visita (tarde) - PONTE ROMANA SOBRE O RIO MINHO E PONTE MILÉNIO (moderna), AS BURGAS (águas termais medicinais), PRAZA DO TRIGO, ALAMEDA E CATEDRAL

Após o almoço em restaurante, partimos para a programada visita parorâmica ao centro histórico de Ourense.
No percurso a guia foi conduzindo os visitantes para os locais programados, mas a relativa dispersão proporcionou a que cada um visse de relance e eventualmente registasse o algo deparado, tal como:
. Publicitação das Festas de Ourense (17-21/06/2026);
. Escultura de homenagem a Eduardo Blanco Amor, um proeminente autodidata galego (narrador, poeta, dramaturgo, jornalista), com o registo de suas catorze obras literárias publicadas entre 1928 a 1974;
. Em aparato rematado a azulejo, o “Recanto do Leitor” e a memória da XXV Feira do Livro de Ourense (7/06/2009);
. Praza Maior (com o caraterístico chão ligeiramente inclinado) e anunciadas obras arquitetónicas do antigo palácio episcopal para Museu Arqueológico de Ourense (prazo de 30 meses).

Chegamos à Catedral, fizemos foto de família na escadaria frontal e entramos pela rua Juan de Áustria (“vencedor da Batalha de Lepanto”). Jacente, no exterior, um pesaroso sino datado de 1719.
A Catedral é um edificado do séc XII e XIII (1ª metade), considerado como um dos grandes templos românicos de Espanha (uma das construções culminantes da Idade Média, com influências da arquitetura cisterciense), numa conjugação de estilos de diferentes períodos sucessivos (românico, gótico, renascentista, barroco, neoclássico, moderno).

Pórtico do Paraíso (polícromo), uma recriação em menor escala da do Pórtico da Glória da catedral compostelana, cuja intenção era a da instrução do povo iletrado medieval nas escrituras sagradas. Igreja em cruz latina, três naves, capela do Santo Cristo (a mais visitada e venerada, segundo as informações), a Guadiã da Quinta Angústia, a capela-mor com o seu fabuloso retábulo gótico (de Cornelis de Holanda), as grades do presbitério, os bancos, o sepulcro monumental do séc. XIV decorado com estrelas e laços de um jacente com roupas episcopais – mas vazio! -, a cúpula (uma das mais notáveis de Espanha, um painel a celebrar a memória do 1700º aniversário do nascimento de S. Martinho de Tours – titular da Catedral Basílica e patrono da diocese, o mecanismo metálico de um relógio de torre Murua (empresa fabricante de relógios e sinos Ignacio Murua, sineiro e relojoeiro - Vitoria).
A caminho de As Burgas, uma homenagem a P. Feijoó, monge beneditino poliglota e estudioso da arte e da literatura, no 2º centenário da publicação do I Tomo do “Theatro Crítico Universal” ou discursos diversos em todas as matérias e assuntos para desapontar erros comuns, publicados entre 1726 a 1740, com mais de 600 mil exemplares vendidos (lê-se na informação da praça pública).
Chegados a As Burgas, o local encontrava-se fechado para obras de requalificação.

É um importante complexo de águas termais e medicinais desde os romanos (que as veneravam) e que constitui a marca da identidade ourensana, juntamente com a antiga ponte.
Não passa despercebida a transcrição latina em relevo, cópia da ara votiva do séc. I: NYMPHIS CALPVRNIA BANA AEBO EX VISV V SL, ou seja, Calpúrnia (dama galaico-romana), reconhecida/agradada, oferece um voto às ninfas destas águas. O caudal é de cerca de 300 litros por minuto e cerca de 67º C constantes. Desprevenidos até nos queimamos. Ontem e hoje, a Natureza é bela!
Regressamos à cidade de Braga e local do Mosteiro de Tibães.
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Organização, transporte e monitorização das visitas (com guia local):
GAMT – Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães
Texto e fotos: Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel



Fotos 1ª Visita




















Fotos 2ª Visita
















Cadernos7 - A eterna rivalidade entre Guimarães e Braga, “Antes Quebrar Que Torcer!”

 

Por uma questão de curiosidade e necessidade de conhecimento, convidamos-vos a ler estes textos, que aqui partilhamos, da autoria do nosso sócio Francisco Silva sobre a “eterna rivalidade”, com raízes profundas, entre as cidades minhotas de Guimarães e Braga.

Ficarão certamente mais informados sobre as piadas e tradição, ligadas a questões históricas e administrativas.



                       Parte 1


                       Parte 2



                       Parte 3







Caminho de São Bento da Porta Aberta no Cávado - 5ª Etapa, 7.mar.2026

(última etapa)Caminhada: Senhora da Abadia – São Bento da Porta Aberta


Dando seguimento ao esforço caminheiro na Calçada do Arrebentaço (finais da 4ª etapa), voltamos ao Santuário da Senhora da Abadia neste sábado de sol e de temperaturas mais confortáveis do que as palpitadas.


Revisitado o templo e o local, iniciamos o percurso mais dificultoso das etapas, encosta acima e ladeando o Rio Nava (tem nascente em Chão de Nábia, a Este). Transpusemos uma pequena ponte antiga, momento aproveitado para fotos do grupo, e, mais acima, pausamos junto à “Gruta da Aparição”. 

Continuamos a subida em direção ao alto do Formigueiro, sempre melodiados pelas águas descendentes do Nava, que Arlindo Ribeiro da Cunha (autor da monografia histórico-descritiva “Senhora do Alívio”) plasma: “(…) as cachoeiras do rio Nava que, precipitando-se de pedra em pedra, burrifa as ervas e silvedos das margens, e abafa com o som cavo das águas em movimento o tilintar dos chocalhos dos rebanhos que pascem na encosta, comunica ao ambiente um caraterístico inconfundível de écloga virgiliana” (1951, 3ª edição/2019 p. 176).


Este percurso de montanha serve inicialmente as restantes capelas do Calvário e conduz os peregrinos/caminheiros para S. Bento da Porta Aberta, bem como aqueles que se dirigiam a Santiago de Compostela pela Geira (via romana XVIII).

A partir do cimo, em terras de Santa Isabel do Monte, foi um descer acentuado e serpenteado, com o vale do Cávado, suas águas em embalse e, depois, a Basílica de S. Bento ao fundo e ao alcance. Percorridos cerca de 7 km.

Noutros tempos esta travessia de montanha era efetuada durante a noite, facultando aos caminheiros vivenciar o raiar do dia e chegar cedo a S. Bento. E muitos duplicavam, regressando à Senhora da Abadia e a suas terras pela mesma via a pé.

Em S. Bento houve disponibilidade para visitar o templo e a Cripta com seus painéis de azulejos, do ceramista Querubim Lapa, narrando a vida do santo.


Após o almoço em Covide, seguimos para visita ao Núcleo Museológico de Campo do Gerês, composto por Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês (uma de cinco) e Museu da Geira, que albergam um valioso legado patrimonial a não perder e a revisitar.

Regressamos a S. Martinho de Tibães.







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Organização e conduta da caminhada e das visitas: GAMT (Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães)


Texto e fotos: Silva Manuel / Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel























Ao Encontro de Patrimónios – Evocando Legados, 21.fev.2026

  “(…) é salutar irmos ao encontro da Arte. A arte, para além do papel que desempenha na construção da nossa identidade cultural, de unir as pessoas e promover o diálogo, é peça fundamental para a nossa saúde mental, proporcionando o alívio do stresse e o bem-estar emocional.” (da missiva endereçada pelo Conselho Diretor do GAMT – Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães – aos associados e amigos, como prólogo ao percurso deste dia:

. conhecer os legados culturais das monjas cistercienses do Mosteiro de Santa Maria de Arouca (séc.s XII a XIX)

. e do Sr. Henrique de Amorim (1902-1977), benemérito e industrial “corticeiro”, grande colecionador e fundador do Museu de Santa Maria de Lamas.


1ª Visita (manhã) - MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE AROUCA


Imponência de um edifício de traça setecentista, manifestando o muito poder que teve ao longo de séculos e que, felizmente, chegou aos dias de hoje de cabeça erguida e albergando muito do que foi seu recheio monástico.


Suas origens são anteriores à nossa nacionalidade: remontam à primeira metade do séc. X.


Dedicado inicialmente a S. Pedro e S. Paulo, adotou, no séc. seguinte, a regra beneditina (hábito escuro). Com a chegada dos monges cistercienses ao Condado Portucalense em 1140, o mosteiro de Arouca torna-se o primeiro estabelecimento desta Ordem. Estes monges (hábito claro) trazem consigo a arquitetura gótica numa fase em que se encontram ativos os estaleiros românicos de catedrais nas cidades de Coimbra, Porto, Lisboa e Lamego.


Por estas décadas ocorrem acontecimentos de relevância: o início da nacionalidade portuguesa (1143), o início da construção da catedral de Notre-Dame (Paris, 1163), o reconhecimento da nacionalidade de Portugal pelo Papa Alexandre III (1179), o “Magnus Liber” (primeiro repertório escrito de música que documenta a evolução do canto gregoriano ao polifónico, de mestres de escola de Notre-Dame, 1160-1190), a terceira cruzada cristã após a tomada de Jerusalém pelo sultão muçulmano Saladino…


Em 1154 o Mosteiro torna-se exclusivamente de freiras

Pelos finais deste século a instituição vive sem problemas, mas em 1203, com a morte da abadessa Elvira Anes, o mosteiro é integrado nos bens da Coroa, por razões que se desconhecem.


Em 1220 o monarca D. Sancho I doou-o a sua filha Mafalda Sanches (1195-1256). Esta infanta portuguesa que viu anulado pelo Papa o seu casamento com Henrique I de Castela (rei aos 10 anos, tendo falecido com 13) integrou a comunidade arouquense com cerca de 25 anos, contribuindo forte e decisivamente para o engrandecimento e identidade deste mosteiro de monjas aristocratas e da localidade ao longo dos tempos.

Daí o “Largo de Santa Mafalda” na entrada do edifício, o de “Rainha Santa Mafalda” como padroeira de Arouca e o de tantas outras referências locais no comércio, indústria, instituições, cultura, lendas… Não terá professado para não perder lugar de Rainha, de poder, de influência e de independência da Igreja dentro e fora do mosteiro. Mas Mafalda Sanches foi apenas beatificada (1793): Beata Mafalda na verdade.


O mosteiro sofreu várias transformações ao longo dos séc.s XVII e XVIII, de que resultaram na sua atual configuração. É conhecido pela sua rica coleção de arte sacra e por desempenhar um forte enfoque cultural, educativo, recreativo, turístico e religioso como monumento central na vida da região.

Iniciamos a visita guiada pela sala da memória (com vídeo comentado sobre suas origens e passado histórico), pelos parlatórios/locutórios (dez!, todos com roda que permitia a troca de artigos com os visitantes), portaria, claustro, refeitório, cozinha, sala do capítulo, antecoro, coro das monjas, igreja, museu. Cada espaço com suas funções específicas monacais, convergindo para a centralidade do claustro como lugar de silêncio e de oração, igualmente de repouso, de contemplação da natureza, fazendo a transição entre o espiritual (igreja e coro - a norte) e o temporal (cozinha, refeitório, celeiros, arrecadações, horta – a sul).

Impressiona-nos imaginar o fervilhar quotidiano desta “colmeia” e dos servidores que a apoiaram ao longo de cerca de 700 anos, bem como de artistas, oficinas e de mestres que lhe deram grandeza - uns tantos famosos vindos de outros locais e de longe, como o caso do arquiteto Carlo Gimac, da Ilha de Malta (para o projeto da igreja).


A igreja, construída entre 1704 e 1730, com seu magnífico altar, retábulos de talha-dourada, cadeiral, órgão, coro das monjas, túmulo da Beata Mafalda, esculturas em pedra-ançã (fácil de trabalhar).

As monjas provêm de famílias aristocratas: dispõem de um fabuloso coro para os atos de culto. Foi construído a seguir às obras da magnífica igreja (benzida no dia 20 de outubro de 1718), e se compõe de um luxuoso cadeiral barroco em madeira de jacarandá (proveniente do Brasil) com 104 assentos/“misericórdias” dotados de rosto/carrancas (ano 1725) e de um majestoso órgão ibérico de 24 registos e 1352 tubos/vozes (ano 1743).


O museu conserva um dos melhores e substanciais acervos regionais de arte sacra do país (cerca de cinco centenas de peças, duzentas expostas), com pintura, escultura, mobiliário, prataria, ourivesaria, tapeçaria, paramentaria, documentação. Aqui se situa a biblioteca memorial D. Domingos de Pinho Brandão e a Real Irmandade Rainha Santa Mafalda que neste ano de 2026 comemora o 140º aniversário.


Além de Carlo Gimac, outros nomes de artistas poderíamos evocar: Luís Vieira da Cruz e Jacinto Vieira (brg), André Gonçalves (lx), Manuel Cerqueira Mendes, João Nunes de Abreu, José Francisco de Paiva (prt), António Faria Soares, António Gomes e Filipe dos Santos (prt), Manuel Bento Gomes, João Ruão, José da Fonseca Lima, Diogo Teixeira, Bento Coelho da Silveira, iniciais IFS, SV, Josefa de Óbidos, escola de Viseu/Grão Vasco, Manuel Benido Gomes Herrera (Valladolid),

Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o edificado é propriedade e tutela do Estado português sob a responsabilidade do Património Cultural (IP) que em colaboração com a Câmara Municipal de Arouca e da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca (RIRSMA) garantem a gestão do monumento.

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Organização e conduta da visita:


Conselho Diretor do Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT).

Texto (baseado em informações dos guias que conduziram a visita, no roteiro virtual e no guia da visita interativa (patrimóniocultural.gov), em desdobráveis impressos, numa edição da Real Irmandade da autoria de Pedro Dias, entre outros) e fotos:


Silva Manuel / Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel



2ª Visita (tarde) - MUSEU DE SANTA MARIA DE LAMAS


Findo o almoço na vila de Arouca, seguimos para O/NO, em direção à vila de Santa Maria de Lamas para visita ao museu local.


Aí chegados atravessamos o parque-jardim, ladeando o campo da memória (à direita), tendo a igreja paroquial mais ao fundo, a estátua a Cristo-Rei ao centro e, do lado esquerdo, edificados, figurados e esparsas pedras de monumentos em frente ao edifício do Museu de Lamas, conhecido também por: Museu de Santa Maria de Lamas, Museu de arte sacra Henrique Amorim, “Domus Aurea (casa dourada): arquivo de fragmentos de arte”, Museu Comendador Henrique Amorim, Museu da Cortiça…

Idêntico cenário ao que conheci quando, no relativamente distante ano letivo de 1981/82, exerci funções de delegado de Português à profissionalização em exercício no Colégio acoplado. Ao tempo o museu tinha reduzida relevância como entidade visitável e usufruível. Havia notoriedade no seu recheio, mas ficávamos sobretudo pela visita ao salão de artefactos de cortiça que quase se amontoavam perante os visitantes, mesmo assim constituindo orgulho do diretor– o bracarense Dr. António Joaquim Vieira, fundador do Colégio, seu diretor e do Museu, e quadro administrativo da Casa do Povo.


O edifício é constituído por dois pisos: o superior (ao nível da entrada exterior) e o inferior. No total são 16 salas, cada uma com sua designada temática:


Oratórios, Senhora do Ó, da Capela, Evangelistas, Presépios, Galeria do Fundador, Etnografia, Gabinete de Ciências Naturais, da Cortiça (pavilhão), Escultores, da Capela de Delães…,

recheadas de arte sacra, gravura e litografia, paramentaria, alfaias litúrgicas, ex-votos, tapeçaria e bordados, cerâmica, objetos de uso quotidiano, relojoaria, papel-moeda e numismática, iconografia do fundador, pintura contemporânea, armaria ibérica, lustres e candelabros, insígnias honoríficas, falerística, mobiliário, artefactos indo-portugueses e “chinoiseries”, instrumentos musicais, “artes decorativas”, etnografia portuguesa, estatuária contemporânea, fragmentos ciências naturais, escultura em cortiça e derivados, arqueologia industrial, mecanismos de transformação da cortiça…


A partir da receção, a responsável pelo serviço educativo introduziu-nos na história deste edifício, do seu fundador, Henrique Alves Amorim, no recheio do museu e conduziu-nos paulatinamente de sala em sala, em interação do recheio e visitantes.


A fundação e início da construção do edifício e museu remontam à década de 50 do séc. XX, promovidos por Henrique Amorim, “benemérito e industrial ‘corticeiro’, grande colecionador e fundador do Museu de Santa Maria de Lamas”. De 1950 a 1953 é o período de maior recolha e aquisição. Em 1959 o fundador procedeu à doação deste espaço construído e espólio à Casa do Povo da freguesia em preito ao desenvolvimento cultural da freguesia e da sua população. Cerca de 1968 ´é concluída a segunda fase construtiva. Entretanto falece Henrique Amorim com cerca de 75 anos (1902-1977) e segue-se um longo período de 27 anos de “semi-adormecimento”.


A partir de 2003-2004 a direção da Casa do Povo inicia o “Projeto de Reorganização…” e recorre a um protocolo com a Universidade Católica. De seguida é criado um Quadro Técnico de pessoal (2005) e o Serviço Educativo (2006) como estratégia para dinamização de ações e de integração na comunidade, na região e no país. Segue-se a fase de credenciação do Museu na Rede Portuguesa de Museus (2009) - conseguida em Diário da República (2018) -, e a renovação da sinalética interna e externa (2011).

O Museu alberga alguma maquinaria dos primórdios do fabrico de rolhas e afins, sugerindo o “modus operandi” na transformação.


“Resultante de um ímpeto pessoal assente na recolha quase compulsiva de objetos multidisciplinares, inspirado nos ‘espíritos’ colecionistas (…) dos séc.s XIX para o XX, (…) a estruturação primitiva deste Museu seguiu e tentou aproximar-se da norma expositiva dos ‘Gabinetes de Curiosidades’ ou ‘Quartos das Maravilhas europeus dos séc.s XV a XVII. Verdadeiros espaços de exibição simultânea de objetos artísticos nobres e variados símbolos, fragmentos ou artefactos de cariz global. Reflexivos da riqueza histórica, científica, religiosa, populacional, natural, cultural, intelectual, social, geográfica, económica, etnográfica e material, da Humanidade e do Planeta Terra.”

– lê-se numa página do caderno de textos do Museu.

No seu todo o Museu atinge o patamar de


“espaço de reflexão, estudo, partilha e interpretação de uma realidade que moldou a história de uma terra; e de um património que acompanhou o gosto e a evolução secular de um país”

– lê-se numa outra das páginas do caderno de textos do Museu.

O antigo salão da cortiça, agora também espaço de auditório, estava preparado para, no dia seguinte (22 de fevereiro), dar lugar à 4ª edição do “Ciclo Música de Câmara” em atuação do Grupo “Prisma Quintet”, constituído por instrumentistas em clarinete, oboé, saxofone, clarinete baixo e fagote, para interpretação de “The arrival pf the queen of sheba”, “Circusmusiek” e “Balada e Mistério”.

Regressamos à cidade de Braga e S. Martinho de Tibães.

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Organização e conduta da visita:


Conselho Diretor do Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT).

Texto (baseado em informações da guia que conduziu a visita, no caderno de textos / ilustrações do Museu, e em outras fontes (net) e fotos:


Silva Manuel / Manuel Duarte Ver em Silva Manuel



Fotos 1ª Visita




















Fotos 2ª Visita