Lembrando Percursos Beneditinos GAMT - Por terras de Bande e de Celanova na Galiza

O monge São Rosendo, figura proeminente da expansão beneditina na Europa, foi lema para dois itinerários GAMT: Santo Tirso e Galiza.
Na visita ao Mosteiro de Santo Tirso apercebemo-nos da devoção a São Rosendo e falámos do seu nascimento no ano de 907 em S. Miguel do Couto, concelho de Santo Tirso.
Segundo o beneditino Frei Geraldo Coelho Dias, São Rosendo foi uma das figuras centrais do monaquismo do norte de Portugal e da Galiza a par de S. Frutuoso e S. Martinho de Dume. Fundou o Mosteiro de S. Salvador de Celanova, dinamizador da cultura e o crescimento dos reinos cristãos no limiar do ano mil, além de participar na fundação de outros cenóbios.
Prosseguindo então na senda de S. Rosendo, o 26º Percurso Beneditino GAMT conduziu-nos até à Galiza, começando pelo simpático município de Celanova, no dia 20 de julho do ano em curso. 
Mosteiro de S. Salvador de Celanova
Pelas onze horas, orientados por uma guia do posto de turismo local, iniciámos a visita ao imponente Mosteiro de S. Salvador de Celanova, outrora um grande centro monástico. Construído em tempos da
alta idade média, viu alterada a sua fisionomia arquitetónica durante os séculos XVI, XVII e XVIII seguindo as linguagens renascentistas, barrocas e neoclássicas, presentes na igreja, coro alto, sacristia, claustros e alas conventuais.
Depois de apreciada a fachada principal em linha reta, virada à espairecida Praça Maior, entrámos para o claustro velho de colunas compactas, coberto por atrativa abóbada de arquitetura gótica. No piso superior surgem portas-sacadas ricamente emolduradas num estilo barroco e uma grande variedade de gárgulas por onde escoam as águas pluviais.
Altar-mor da igreja do Mosteiro
Numa igreja magnífica, para além de muitos outros detalhes, os visitantes deliciaram-se com o retábulo barroco da capela-mor de finais do século XVII profusamente decorado com ícones religiosos. Estranharam a existência de um coro baixo central, formando uma grande sala retangular, com um cadeiral magnífico, onde se narra a vida de S. Bento e S. Rosendo, defendido por grades e portas primorosamente esculpidas de imagens.
Num processo contínuo, passámos pela ampla sacristia decorada num tom róseo com altar e extensos arcazes. Subimos ao espaçoso coro alto com um magnífico órgão de tubos que proporciona frequentes momentos musicais em concertos memoráveis e descemos de novo ao piso térreo para visitar uma pequena capela pré-românica situada na antiga horta do mosteiro.
Perdura, dos tempos medievais, esta capela de S. Miguel, monumento nacional desde 1923, o exemplo mais paradigmático e completo da chamada arquitetura moçárabe, com a estrutura cruciforme, os três espaços interiores separados mediante arcos de ferradura, cachorros em forma de rolos, ajimezes, modelos usados também em S. Frutuoso de Montélios em Real, Braga. 

Conhecida a arte e memória beneditina presente no Mosteiro de Celanova, rumámos de seguida a Vilanova dos Infantes para conhecer a igreja paroquial do século XVII.
Igreja Vilanova dos Infantes
Ali, esperava-nos outro guia, o padre Dom António. No interior da igreja, para além de outros pormenores, apresentou-nos um Cristo crucificado em madeira talhada, de origem românica, que poderá ser procedente do desaparecido mosteiro feminino de Santa Maria, fundado pela mãe de San Rosendo e que terá existido naquele local. Falou-nos também da lenda, o cristal com a imagem de Nossa Senhora, achada por um lavrador no século XVII. A designada Virgem de Cristal, uma réplica depois do roubo de 2015, mede apenas dois centímetros e está colocada dentro de una peça de cristal maciço em forma de ovo.
O delicioso almoço no formato de piquenique estava marcado para o logradouro do santuário edificado no séc. XVIII em honra a Nossa Senhora do Cristal. Como é habitual, foi farto, muito variado de saborosos petiscos e acompanhado por boa disposição. A findar o repasto, de uma forma muito breve, tivemos a oportunidade de visitar a igreja, edifício barroco, onde acabava de terminar uma cerimónia nupcial.
Após o rápido “banquete”, fomos ao reencontro de outra memória - a Via Nova, ou Geira, cujo percurso português tão bem conhecemos com a visita ao Museu da Geira, no nosso 19º Percurso, em julho do ano transato.
Centro de Interpretação Aquae Querquennae
Dirigimo-nos ao Centro de Interpretação Aquae Querquennae-Vía Nova, ponto de informação sobre o complexo arqueológico romano Aquis Querquennis situado em Porto Quintela, a oito quilómetros de Bande. Recepcionados por uma simpática guia que nos fez a necessária contextualização da civilização romana, percorremos calmamente o centro interpretativo, bem organizado e com bastante informação.
A escassos metros fica o acampamento romano, ocupado entre o último quartel do século I e meados do século II, construído, provavelmente, para vigiar a Via XVIII ou Via Nova, que comunicava Bracara Augusta e Astúrica Augusta. Aqui, apenas realizámos uma visita individual, pois o espaço não estava totalmente visitável devido ao nível ainda elevado da água da barragem das Conchas que infelizmente cobre as ruínas durante boa parte do ano.


Igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Mas o tempo sobrante não foi dado como perdido. Numa previsão de Plano B, fizemos um diminuto desvio na viagem de regresso para visitar a pequena igreja visigótica de Santa Comba de Bande, a única desta época que se conserva na sua integridade. Trata-se de um edifico de um mosteiro pré-românico aonde se trouxeram as relíquias de São Torcuato, discípulo do Apóstolo Santiago.
Gentilmente, a pessoa responsável pela chave acedeu ao pedido de visita e abriu-nos a porta para podermos desfrutar de uma visão singular do seu interior. Este, num formato retangular, termina numa capela-mor cuja abóbada contém pinturas murais. Foi-nos confidenciado que, junto à cabeceira, do lado esquerdo, a dependência lateral seria uma cela do período de uso monástico do templo.
E lá retornamos a casa, um pouco mais tarde que o previsto, pois o entusiasmo pelas descobertas era muito grande, não podendo faltar os imprescindíveis registos fotográficos destes momentos únicos para a maioria destes verdadeiros amigos que nos acompanharam nesta primeira viagem por terras galegas.

Sócio do GAMT nº 2


Claustro do Mosteiro

Abóbada de arquitetura gótica
Claustro Mosteiro de S. Salvador
Sacristia da Igreja do Mosteiro
Órgão de tubos


Mosteiro de S. Salvador (traseiras)
Capela de S. Miguel - exterior
Interior Capela de S. Miguel
Igreja Vilanova dos Infantes (interior)
Cristo românico
Igreja Virgem do Cristal (exterior)
Igreja Virgem do Cristal (interior)
Imagem da Virgem do cristal
Introdução à exposição no Centro de Interpretação Aquae Querquennae
Exposição a civilização romana
Acampamento romano
Igreja visigótica de Santa Comba de Bande (traseira)
Capela-mor igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Teto da Capela-mor igreja visigótica de Santa Comba de Bande
Piquenique
Foto de grupo

18 Olhares Sobre André Soares

No passado dia 3 de dezembro do ano transacto, Eduardo Pires de Oliveira, associado do GAMT, coordenador e coautor de uma edição onde 22 investigadores apresentam varias perspectivas sobre André Soares, fez a apresentação pública dessa colectânea de textos que reuniu num livro acabado de editar sob o titulo "18 Olhares sobre André Soares", esta teve lugar na igreja de São João de Souto, coincidindo com o dia e o local em que André Soares foi baptizado. Partilha-se agora aqui os textos dessa apresentação que foram publicados na secção Cultura do Diário do Minho, de 15 de Janeiro 


                 Consultar aqui artigo publicado no DM em 15 de janeiro de 2020


PRÉMIO GONÇALO RIBEIRO TELLES DISTINGUE TERESA ANDRESEN


Teresa Andresen, associada do GAMT, é a vencedora da 1ª edição do prémio Gonçalo Ribeiro Telles. A arquitecta paisagista foi distinguida pela sua intervenção relevante nas áreas da sustentabilidade ambiental e da paisagem urbana em Portugal.
Este prémio é uma iniciativa da Casa Real, Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, Ordem dos Engenheiros e da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagísticos. Para além de homenagear a visão sistémica e a intervenção cívica do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, esta distinção irá eleger anualmente a personalidade que seja protagonista de intervenções vanguardistas e transformadoras no Ambiente e na Paisagem, com um percurso de vida fortemente ligado ao serviço do bem comum.
Com um vasto percurso profissional e académica, Teresa Andresen foi uma das fundadoras do curso de Arquitectura Paisagista na Faculdade de ciências da Universidade do Porto (FCUP). Foi também membro do Conselho Científico da Agência Europeia de Ambiente, de 2002 a 2008. Em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e sob coordenação de Bianchi de Aguiar, elaborou a candidatura da Região Demarcada do Douro a património Mundial da UNESCO. Mais recentemente elaborou o Plano de Gestão da Paisagem Protegida do Parque das Serras do Porto e coordenou a candidatura do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, a Património Mundial da UNESCO.
FOTO: DR
Atualmente, Teresa Andresen é presidente da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos e membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, tendo anteriormente dirigido o Instituto da Conservação da Natureza (1996-1998), o Parque da Fundação de Serralves (2007-2009) e o Jardim Botânico do Porto (2007-2014).
O prémio, que se traduz num troféu em forma de árvore da autoria do escultor Luís Cruz, foi entregue numa cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, que editou em 2005 um catálogo de uma exposição sobre arquitectura paisagista em Portugal nos anos 1940 a 1970 com textos de Teresa Andresen, a entrega contou também com as presenças do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, da presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Manuel Serra.

À procura dos serões perdidos d' aldeia

No dia 8 de Setembro do mês passado, no Mosteiro de Tibães, demos início à continuidade do projecto de memória da freguesia de Mire de Tibães. Este ano, o tema escolhido foi Serões da Aldeia com o subtema "Serões em Mire de Tibães nos séculos XIX e XX".
Este projecto, apresentado no formato de tertúlia, contou com a presença do escritor e dramaturgo Fernando Pinheiro. Temos muito gosto em partilhar a sua apresentação publicada na secção Cultura do Diário do Minho, de 9 de Outubro


                 Consultar aqui artigo publicado no DM em 9 de outubro de 2019





Conhecer o Mosteiro de Tibães 1834/1986 - Sinopse de um Curso

O Mosteiro de São Martinho de Tibães tem vindo a oferecer temas de conversa e descobertas que vão aguçando e alimentando a curiosidade de pessoas que de alguma forma se interessam pelo património. Nestas digressões sobre este tesouro do património português, encontramos pessoas implicadas na sua difusão e que, por isso, sentem a necessidade de pôr em comum os seus autênticos e importantes achados.
Vem esta reflexão a propósito do curso desenvolvido no Mosteiro de Tibães, sob iniciativa do GAMT e em colaboração com a DRCN, no presente ano, ao longo dos meses de fevereiro, março, abril e maio.
Seguindo o modelo de conferência em que vários especialistas tiveram a oportunidade de expor os seus conhecimentos decorrentes das suas aturadas investigações, abordaram-se temas modulares relacionados com a desamortização dos bens das ordens religiosas: Primeiros sinais na Congregação Beneditina Portuguesa, proferida por Dr. Paulo Oliveira, Mestre em História Contemporânea, área de Igreja e Sociedade; A extinção do Mosteiro de Tibães, por Dr. Paulo Oliveira; A Desamortização em Portugal, por Aurélio de Oliveira, Professor Catedrático convidado do ISMAI; Prática religiosa e social, por Professor José Carlos Peixoto, Mestre em Educação; Monteiro's, Marques's e companhias, por Aida Mata, investigadora do Mosteiro de Tibães e em história beneditina.
Terminou este curso no formato de mesa redonda, com a presença de alguns intervenientes no processo de aquisição do Mosteiro de Tibães, onde se discutiu O Renascer de um Património. Por entre a cinquentena de participantes, surgiram questões, levantadas por opinados participantes, relacionadas com a recuperação e manutenção do vasto património do mosteiro que inclui a cerca, o edificado e o seu escasso, mas não menos valioso, espólio.
Também em 2014, o GAMT produziu um projeto didático similar, que decorreu durante o ano de 2015, com o curso Conhecer o Mosteiro de Tibães - séculos XVII e XVIII. Naquele conjunto de matérias abordaram-se aspetos artísticos, culturais e vivenciais de um espaço – o Mosteiro, o Couto de Tibães e a comunidade dos beneditinos.
Com o material produzido para esse curso foi editada, em 2017, em parceria com a Câmara Municipal de Braga/Revista Bracara Augusta e o apoio mecenático de empresas e entidades da região, uma monografia. Aproveitamos para lembrar aqui os nossos mecenas, em jeito de renovado agradecimento, pelo empenho demonstrado no apoio à investigação histórica: as empresas Enermeter - Sistemas de Medição Lda., Posterede-Postes Elétricos S.A; Casais - Engenharia e Construção, S.A e as entidades Irmandade de S. Bento da Porta Aberta e Junta de Freguesia de Mire de Tibães.
Ao longo dos sete anos de vida ativa do Grupo de Amigos do Mosteiro de São Martinho de Tibães, uma atividade marcante da associação tem sido os percursos beneditinos, com viagens pela história da Ordem de S. Bento. Houve percursos específicos cuja temática se centrou no pecúlio do Mosteiro de Tibães disperso por diversos espaços, relacionado maioritariamente com a desamortização dos bens religiosos. Estaremos a lembrar-nos de percursos que se denominaram "Tibães em Braga", realizados em fevereiro e maio de 2015.
Visitámos espaços religiosos, culturais e públicos que nos falaram da história de Tibães e da congregação beneditina. Num dos percursos, fomos à Sé de Braga, onde reencontrámos alfaias e paramentaria; estivemos na Biblioteca Pública e no Arquivo Distrital onde se conserva parte da livraria de Tibães, bem como do seu cartório, um quadro com a carta de Couto e os retratos do Conde D. Henrique e da Rainha D. Teresa e terminámos na sala de entrada da Reitoria no Largo do Paço para vermos os dois painéis de azulejos oriundos do claustro do cemitério do Mosteiro.
Noutro itinerário, visitámos o Museu Pio XII, onde nos foi proporcionado um momento para apreciar diversos capitéis coríntios oriundos de Tibães e ainda duas imagens dos vultos de S. Bento e S. Bernardo em madeira dourada e policromada. Continuámos pela igreja do Hospital de São Marcos onde descobrimos, no coro alto, o órgão de tubos que, segundo especialistas, terá vindo do coro baixo da Igreja do Mosteiro de Tibães.
No dia 13 de outubro no ano passado, no 21º percurso, fomos à Biblioteca Pública Municipal do Porto, que recebeu uma parte do espólio da livraria do Mosteiro de Tibães. Foram apreciadas algumas das melhores peças provenientes de Tibães pela mão de Alexandre Herculano.
A enumeração da visita dos espaços atrás referidos representa de alguma forma a lógica, a fundamentação e a premência da realização do curso Conhecer o Mosteiro de Tibães 1834/1986.
No fecho do curso, durante a mesa redonda, ficou evidente e concluiu-se que a recuperação do Mosteiro de Tibães não estará ainda terminada. Vieram a talhe de foice o espaço do cemitério paroquial, a torre sineira e o órgão de tubos do coro alto.
Quanto ao órgão, recorda-se a realização da tertúlia “Memórias da Freguesia de Mire de Tibães à volta do Órgãos de Tubos” no ano de 2015, por sinal muito concorrida, e a tentativa da candidatura ao orçamento participativo da Câmara Municipal de Braga com o objetivo de concretizar o seu restauro. Criou-se uma onda de unidade em torno de um elemento do património musical que foi, na altura, insensivelmente refreada. Não se verificou a necessária anuência da tutela, a DRCN, e o processo não avançou. Já passaram quatro anos e permanece a desaprazível situação de um aparente e doloroso abandono.
Na tertúlia, comentou-se que, apesar das tentativas de envolvimento da população local com o mosteiro, se verifica o seu afastamento e divórcio. Talvez a resposta seja simples: sempre que os tibanenses abraçam uma causa em torno do seu património, estes sentem rejeição das suas ideias sem uma cabal e por vezes prudente justificação. Se pensarmos com algum cuidado, o cemitério, a torre sineira e o órgão são exemplos de elementos essenciais que fazem parte do quotidiano da comunidade e que não deveriam ser menosprezados.
Estes cursos e mesas redondas mostraram-se extremamente úteis por ocasionarem uma benéfica reflexão e confronto de ideias. A última parte do Conhecer o Mosteiro de Tibães foi mais além, possibilitando desfazer alguns mitos e erros sobre a venda pública dos bens do mosteiro. Todos ficamos a ganhar com a sempre desejada clarificação de conhecimentos.

Sócio do GAMT nº 2


Paulo Oliveira - A extinção do Mosteiro de Tibães

Aurélio de Oliveira - A Desamortização em Portugal

José Carlos Peixoto - Prática religiosa e social

Aida Mata - Monteiro's, Marques's e companhias

A mesa redonda

Assembleia atenta

Participação do público








Chafariz no jardim de S. João


O final do curso e a pausa para café

Lembrando Percursos Beneditinos GAMT - Lisboa


Idas as festividades natalícias e de ano novo, estava na altura de o GAMT retomar as suas atividades com novos trajetos beneditinos.
Assim, o primeiro encontro do ano foi no passado dia 26 de Janeiro com o 23º Percurso Beneditino a Lisboa, que incluía visita guiada ao Palácio de São Bento/Assembleia da República e ao Museu e Igreja de S. Roque.
Definido o percurso, era necessário escolher o transporte. Depois de analisadas várias propostas, o GAMT decidiu-se pelo autocarro atendendo à sua versatilidade e conforto. A previsão de partida a uma hora matinal não muito comum (cinco horas da matina!), prognosticava um retraimento na adesão das pessoas para tal aventura… mas desenganem-se, foi uma anuência meteórica! No espaço de três dias tivemos lotação esgotada e com amigos em lista de espera!
Numa pontualidade quase britânica, arrancamos para a capital, uns mais ensonados que outros e alguns bem despertos pela ansiedade característica de novas descobertas.
Fachada da Igreja de S. Roque
Chegados ao largo Trindade Coelho, esperava-nos um guia atencioso para nos encaminhar para a igreja de São Roque, casa mãe da Companhia de Jesus em Portugal e um dos raros edifícios em Lisboa a sobreviver ao Terramoto de 1755 relativamente intacto.
Observando uma fachada simples e austera, entrámos e ficámos deslumbrados com uma igreja-salão, ricamente decorada com talha dourada, pinturas e azulejos, um esplendoroso teto decorado com pequenas cenas bíblicas, ladeada por diversas capelas no estilo barroco, onde se destaca a de São João Baptista, obra-prima da arte italiana do século XVIII, encomendada por D. João V, supondo-se que tenha sido à época a mais cara capela da Europa. Nesta magnífica igreja-salão, o Padre António Vieira terá proferido alguns dos seus extraordinários sermões que no século XVII terão sido verdadeiros acontecimentos sociais.
Na sequência de uma visita atenta e sempre participada, com preciosos e oportunos acrescentos informativos de Anabela Ramos, Paulo Oliveira e Aida Mata, dirigimo-nos para o edifício contíguo, o Museu de São Roque, que está instalado no espaço da antiga Casa Professa da Companhia de Jesus em Lisboa, construída no final do século XVI e decorada com diversas campanhas de trabalhos entre o final do século XVI e o XIX.
Interior da Igreja de S. Roque
Este espaço abriu ao público em 1905, com a designação de Museu do Tesouro da Capela de São João Baptista, em evocação da importante coleção de arte italiana que está na origem da sua criação. Nos anos 60 ganhou um novo sentido ao ser-lhe, explicitamente, associada a Igreja de São Roque, introduzindo-se, deste modo, o conceito de Museu de Monumento. No interior pudemos ver pintura, escultura e arte sacra do século XIV ao XVIII, com referência especial à arte indo-europeia, um dos mais importantes conjuntos de relicários do mundo e uma coleção de ourivesaria e paramentaria barroca considerada pelos especialistas como sendo de qualidade única a nível mundial, a coleção de alfaias da capela de São João Baptista, executada em Roma no século XVIII.
Como habitualmente, o tempo esfumou-se, tornando curta a visita, mesmo aumentando meia hora ao delineado. Correndo contra o relógio, encarreiramo-nos em direção à Cervejaria Trindade, uns metros abaixo do Museu de São Roque, para num almoço comum devorar os petiscos encomendados: bife de novilho à Trindade ou bacalhau conventual.
Foi bom propósito agilizar o pouco tempo de que se dispunha para almoçar num espaço com disponibilidade para receber o grupo, tendo como sinal mais tratar-se da mais antiga cervejaria de Portugal, construída em 1836, nas ruínas do Convento da Santíssima Trindade dos Frades Trinos.
Palácio de S. Bento
Feito este delicioso intervalo, raspa-te que se faz tarde! O autocarro esperava-nos para a segunda parte do programa: o Palácio de S. Bento/Assembleia da República.
Ali chegados, vislumbrámos a majestosa fachada de estilo neoclássico e rapidamente subimos a escadaria. Depois de um rigoroso controlo de entrada, como se de um embarque se tratasse, fomos encaminhados para a sala do antigo refeitório dos monges onde escutámos como prelúdio uma oportuna introdução histórica documentada do que foi o Palácio de S. Bento.

Pela voz da Doutora Teresa Parra da Silva, ouvimos falar dos diversos usos deste monumento nacional, classificado em fevereiro de 2002, desde os tempos em que foi mosteiro beneditino [1615-1834], Mosteiro de S. Bento da Saúde, até aos seus usos como Assembleia das Cortes [1834-1937]; Assembleia Nacional Constituinte [1911-1926]; Assembleia Nacional [1934-1975] e a atual Assembleia da República.
Palestra Refeitório Mosteiro de S. Bento
Apercebemo-nos dos seus diferentes edificados desde o projeto beneditino de Baltazar Alvares e de Frei João Turriano, até à construção de nova ala, [1994-1997] da autoria do arquiteto Fernando Távora, destinada à residência oficial do Presidente da Assembleia da República e a gabinetes para os deputados passando pelas obras de remodelação dos espaços interiores e exteriores, começadas em 1896 com direção do arquiteto Ventura Terra e continuadas ao longo de todo o século XX, rematadas com a monumentalização da zona envolvente e a construção da fachada principal e escadaria exterior.
(Ver vídeo sobre a história do monumento)
De Mosteiro a Parlamento | "Espaços com História"

Entrámos pelo átrio principal do Palácio de São Bento, dos raros espaços originais do antigo Mosteiro​ de São Bento, onde se situava a igreja monástica, da qual se mantém o pavimento original de mármore branco e rosa. Detetámos que no lugar das antigas capelas laterais, agora fechadas, funciona como uma sucessão de nichos, encontrando-se vários bustos de algumas personalidades históricas.
Para além do átrio principal, destacamos a visita do jardim interior, o claustro, a sala de visitas do  
Salão Nobre Palácio S. Bento
Presidente, o Salão Nobre, os Passos Perdidos, a Sala das Sessões, a Biblioteca Passos Manuel, o Arquivo Histórico Parlamentar ou Sala dos Arcos, situada numa das áreas de armazenamento do antigo mosteiro e que é um dos poucos espaços monásticos ainda existentes no Palácio de S. Bento.
Depois da foto de grupo tirada em jeito de despedida na escadaria do Palácio de S. Bento, regressámos saciados culturalmente para Braga.
Contudo, como a hora de chegada previa um jantar tardio, o bom senso determinou que se fizesse uma ligeira pausa no estratégico restaurante O Manjar Do Marquês, em Pombal, que permitisse saborear o delicioso arroz de tomate com panados, pastéis de bacalhau ou outros pitéus.
E durante a viagem as pessoas perguntavam já impacientes: Qual é a próxima atividade do GAMT?
E a resposta foi: Consultem o Facebook do GAMT!
Todos concordamos que o saber não ocupa lugar e faz-nos crescer. Continuemos pois a crescer…

Sócio do GAMT nº 2


Capela S. João Batista Igreja S. Roque

Capela-Mor Igreja S. Roque

Cofre-Relicário S. Francisco Xavier
Cervejaria Trindade 
Mosteiro de S. Bento da Saúde
Átrio Palácio S. Bento
Escadaria Palácio S. Bento 
Assembleia da República


Claustro Palácio S. Bento

Arquivo Palácio S. Bento

Biblioteca Passos Manuel Palácio S. Bento
Grupo na Escadaria Exterior do Palácio S. Bento / Lisboa