Caminho de São Bento da Porta Aberta no Cávado - 1ª Etapa, 06.abr.2025

De Fão a Barcelos, a 1ª de duas caminhadas pelos Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT).

Inserido no seu calendário de atividades para 2025, realizou-se a primeira de duas caminhadas do GAMT num domingo primaveril por entre antigas vias urbanas e rurais.

Chegados ao icónico templo do Bom Jesus de Fão, cerca de três dezenas de caminheira/o/s sob o comando de duas caminheiras associadas do GAMT, preparamo-nos para a partida visitando o interior desta igreja, exemplo típico dos templos de peregrinação. É um edificado do séc. XVIII, ocupando um espaço outrora de outro templo de inícios do séc. XVII, muito “acarinhado e beneficiado pela família real portuguesa na pessoa do rei D. Carlos I, que se fez Juiz Perpétuo, Patrono e Defensor do mesmo, mandando colocar na sua fachada as armas reais portuguesas”, que se mantêm impactantes, coloridas, garbosas no mesmo local. O interior do templo é em forma de cruz latina com abóbadas de pedra, o altar-mor encimado pela “milagrosa figura do Senhor dos Passos” ou “Senhor de Fão” - encontrando-se naquele momento a ser preparada a boca de cena com o içar de uma armação em arco de madeira para os rituais da semana santa e da Páscoa.

Saímos adro (emblemático) para norte com olhos postos nos edificados daquelas ruas seculares de um núcleo histórico dos séc.s XVI e XVII com S. Paio (de Córdova) santo padroeiro. Passamos junto à capela da Senhora da Lapa (séc. XVIII), de estilo tardo-barroco, visitamos brevemente seu âmago icónico e artístico e já estávamos junto à Pastelaria Clarinhas em gestão de autonomia de caminheiros para um percurso que nos esperava: higiene de banheiro e degustação de “clarinhas”, celebrizadas de entre as “7 maravilhas doces de Portugal” (líamos nas informações publicitárias da casa).

Depressa defrontamos (nosso) rio, ladeado por passeio pedonal que integra a Ecovia do Litoral Norte (2018), ampla rampa de ancoradouro de outros tempos frenético, subimos à Ponte D. Luís Filipe (séc. XIX e IIP – monumento de interesse público) de estrutura metálica assente em apoios graníticos sustentados em estacaria de madeira, passamos para a margem direita e já estávamos, ainda que no mesmo município de Esposende, a caminho de nosso destino – cidade de Barcelos. Tratando-se de um percurso de romeiros (S. Bento e Santiago de Compostela) nada de estranhar a passagem por capelas, igrejas e cruzeiros que o ladeavam, bem como referências toponímicas a barcos, barqueiros, água (lago), calçadas, travessas, quintas, náutico, “praso”, reguengo, lodeiro, souto, cruzeiro, rio, moinhos…

Ainda em Gemeses (freguesia) “mergulhamos” em Barca do Lago, com o amplo rio “rei e senhor”, e um povoado ribeirinho outrora pujante. Sua capela é uma construção do séc. XVIII, modificada em 1930, de “estilo simples e de inspiração neoclássica”, batizada de Nossa Senhora do Lago, sucedendo à anterior designação de Santa Maria do Lago.
Em plena primavera e em dia soalheiro (após pluviosos), nossas vistas deleitavam-se com os verdes e amarelos dos prados, campos e quintais, e as cores da paixão de quaresma. Foram ficando para trás isto e mais aquilo, como as modernas instalações do Centro Náutico de Gemeses, esta e aquela quinta, esta e aquela travessa qualquer coisa. As datas de edificados rurais também não nos iam escapando, curiosamente predominantes do séc. XIX (1824, 1838, 1875…). Palmilhada a Ponte Nova, estávamos já a ladear a Capela de S. Cirilo (um santo oriental), construção datada de 1673, com um pequeno e baixo púlpito em granito no frontal direito, e depois um cruzeiro “rebolido” de 1838.

Chegados ao centro de Perelhal, era hora de aliviar as mochilas de nossos almoços. Tínhamos vencido cerca de metade do percurso. Não podíamos deixar o local sem entrar na Capela do Alívio (1875), junto à estrada (Barcelos-Prado). Pela rua do “Praso de Reguengo”, o lado exterior de uma gateira de adega (ou de cortes de gado) transformada num pequeno nicho com a imagem de S. Bento, em jeito de umas alminhas e daquele modo. Antes havíamos sido alertados para um marco da Casa de Bragança na margem pedonal de uma rua (P.e Gomes da Costa).
Agora em território de Mariz, avisos sobre licenças para cães (GNR), um plano anual de exploração (caça) de uma associação de Creixomil, um cartaz sobre uma sessão de teatro de comédia em três atos (ocorrida no início do ano), informação sobre fogos florestais, intervenção de limpeza de carga combustível junto a estrada, anúncio de um “cortejo de madeira e oferendas em prol da igreja paroquial” (São Tiago de Creixomil) muito recente. Outro “Aviso” mas já em domínios da união de freguesias de Barcelos, Vila Boa, Vila Frescainha (S. Martinho e S. Pedro).

E já nos encontrávamos perante a Igreja Matriz e as ruínas do Paço Ducal (cidade de Barcelos). Cartazes de um “Tríduo de peregrinação a cavalo”, de uma “Paixão de Cristo encenada”, de uma via sacra na Franqueira, de um pedido de ofertas para obras de conservação pelo Conselho Económico de Santa Maria Maior. E o “Muzeu Arqueológico” no Paço Ducal com um manancial de testemunhos de edificados de diversos locais e tempos: um marco da Casa de Bragança do séc. XVII (D. João, duque 8º, depois rei D. João IV), arcazes e campas tumulares, colunas e capitéis, menir, ornatos disto e daquilo, legendados, com predominância do século XVIII, mas também de XIII e XIV.

Seguimos caminho em direção ao centro citadino atual: era imperioso visitar a Torre Medieval a servir de posto de turismo e albergando exposições de artesanato de figurado local (“Mostra de arte barrista”, “Exposição ”Minho, minh’Alma”), e subir ao panorâmico terraço para ter a bela cidade cá em baixo e o rodopio de cidadãos e turistas, e os sons de festa de concertinas e de cantares alegres de domingo, “que aqui é sempre uma festa”.
Pelos espaços pedonais lá estavam os do teatro e afins: “Telhados de Vidro”, “Jonas”, “Os Sonhos do Tom”, de música “Jazz ao Largo” e os arcos das numerosas freguesias deste amplo município anunciando as grandiosas festas que se aproximam – Festas das Cruzes.

E sempre à volta daquele belo e caraterístico templo de arquitetura barroca - Igreja do Senhor da Cruz ou Igreja das Cruzes -, de planta centrada em cruz grega recoberto por cúpulas (IIP desde 1958), que as pequenas e grandes festividades acontecem, bem como as concorridas feiras deste município.
Também assim foi, ao fim da tarde deste domingo, com grupos de concertinas, de cantares, de dançadores e de um número significativo de público a assistir e a ouvir ruas fora.
Percorridos cerca de 21 km.
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Caminhada organizada pelo GAMT (Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães) e liderada por duas das suas associadas.

Texto e a maioria das fotos de Silva Manuel / Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel























40º Percurso Beneditino - "Por terras de Amarante", 22.fev.2025

Visitar o Mosteiro de S. Salvador de Travanca, Mosteiro de São Martinho de Mancelos, Igreja e convento de São Gonçalo e ouvir falar de Amadeo de Souza-Cardoso, Agustina Bessa-Luís e Aquilino Ribeiro.

O GAMT – Grupo de Amigos do Mosteiro de São Martinho de Tibães – através da sua Direção havia agendado para esta data uma digressão “por terras amarantinas e bater à porta de antigas casas de monges beneditinos, agostinhos e dominicanos.

”Num sábado de inverno de sol e de chuva, tolerante, em transporte rodoviário “completo”, partimos para terras do Vale do Tâmega, em direção ao Mosteiro de São Salvador de Travanca, um dos vinte e cinco locais, de entre cinquenta e oito no total, da Rota do Românico deste vale (Tâmega). Nesta e na visita seguinte fomos conduzidos por um guia desta Rota. De acordo com prévia informação escrita da organização da visita, este Mosteiro estava “associado à linhagem dos Gascos, a que pertence Egas Moniz, com uma construção balizada entre 1008 e 1066 constituiu um dos mais poderosos institutos monásticos da terra de Sousa durante a Idade Média, onde, ainda hoje, impressiona a torre isolada, considerada uma das mais elevadas torres medievais portuguesas, com o seu ar militar, puramente simbólico, e o seu portal ricamente lavrado.


“Fundado em tempos anteriores ao século XII, a sua comunidade deve ter seguido a regra de São Frutuoso, que abandonou, depois do Concílio de Coyanza (1055), para seguir a Regra Beneditina que seguiu até 1034, data da sua extinção. O seu poder monástico repercutiu-se no controlo económico, político e religioso da região atravessando com notoriedade económica os tempos medievais e vivendo com extraordinário vigor construtivo e reconstrutivo os séculos XVI a XIX.



“A Igreja de Travanca destaca-se no panorama do românico português. A sua monumentalidade é-nos não só confirmada pela sua planta de três naves, mas também pela presença da torre, assim como pelos motivos escultóricos que aqui se abrigam. Além disso, trata-se de um conjunto monumental que, pela sua implantação e aparato, expressa bem a economia agrícola que o desenvolveu e as sucessivas pretensões dos homens a ele ligados ao longo da história.”

A manhã decorria serenamente e, prestes para a partida, a líder GAMT deu voz à relação umbilical de Agustina (de Bessa-Luiz) com a sua Vila Meã de infância e juventude.

Esperava-nos São Martinho de Mancelos e ali chegámos. Seu Mosteiro estava “ligado à linhagem senhorial dos Portocarreiros e depois dos Fonsecas, com origens num cenóbio primitivo anterior ao século XII, posteriormente integrado na ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, terá sido construído no século XIII, período arquitetónico evidente no portal principal. Este é abrigado pela galilé, o que explica o seu bom estado de conservação. Os capitéis foram elegantemente esculpidos e o tímpano é sustentado por duas figuras ao modo de atlantes.

“A galilé e a torre, entre outros elementos, como as ameias, conferem monumentalidade à igreja, profundamente modificada nos séculos posteriores à sua edificação. Destes tempos posteriores, especificamente dos séculos XVII e XVIII, é o importante acervo de pinturas existentes na igreja, que só por si justificam uma visita.”

Seguimos para o centro da cidade de Amarante, “brindados” por uma surpreendente carga pluviosa que nos acompanhou até ao local do almoço.

Repastados e libertos da intempérie deslocámo-nos, bem ali perto, para a famosa ponte de S. Gonçalo, amarantina também em preito ao seu afamado arquiteto bracarense (Carlos Amarante), onde, sobre seu tabuleiro foram lidos textos de assinalados autores locais, recordadas lendas e aquelas memórias  bélicas da 2ª invasão francesa, de refregas prolongadas por estratagemas de ataques e de defesas, de 14 dias (abril-maio de 1809), de um e de ouro lado entre as forças do marechal Soult e plano de ataque de  De Laborde e  do marechal Silveira, dos quatro  barris de pólvora que na madrugada de 2 de maio quebrou o reduto resistente luso, numa ação bélica desesperada de os napoleónicos abrirem passagem e salvação.

Nesta fase a visita era conduzida pela organização do GAMT e de seus convidados, e tendo os visitantes maior liberdade de movimento, de observação e de vivência de memórias.


“A Igreja e Convento de S. Gonçalo, de estilos renascentista, maneirista e barroco, fundado em 1540, pelo rei D. João III, acolhe a estátua tumular de S. Gonçalo, de calcário policromado, onde, durante séculos e seguindo a tradição, as solteiras que se cansavam de ser solteiras reclamavam ao santo “Porque não casais as novas? / Que mal te fizeram elas?” – as mesmas vozes que, pela Primavera contavam pelo cuco os anos que viveram sozinhas “Ó cuco da ramalheira, quantos anos me dás de solteira?

“(…) e falemos da magnífica fachada, virada ao rio, com portal-retábulo, a toda a altura, de três registos, o primeiro de influência renascentista, o segundo maneirista e o último barroco. O portal apresenta nítidas semelhanças com os portais da igreja de S. Domingos, em Viana dos Castelo, a igreja de S. Martinho Pinário, em Santiago de Compostela e a Colegiada de Santiago, em Cangas, Pontevedra. Fachada onde numa decoração luxuriante, entre arcos e colunas, medalhões, nichos e cartelas, nos aparecem as imagens de S. Domingos, de S. Francisco de Assis, de S. Gonçalo, de S. Pedro Mártir, de S. Tomás e de nossa Senhora do Rosário e na loggia, a chamada Varanda dos Reis, e as esculturas régias de D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e Filipe I.


“No interior do templo (…) entre abóbadas de berço com pinturas em trompe l’oeil e retábulos maneiristas, barrocos e neoclássicos e (…) os afamados diabos de marante, o casal de chifrudos que lado a lado com os anjos e santos daquele convento – mesmo com os caracteres sexuais expostos e pouco ou nada tendo de sagrado – conquistaram a estima de monges e do povo. Queimados durante as invasões francesas, foram, a pedido do povo, substituídos por réplicas que, após percursos atribulados, podem ser vistos no Museu Amadeo Souza-Cardoso, instalado nos claustros do convento.”


A visita ao Museu não se realizou, por motivo de obras.

As referências amarantinas a seus maiores estavam à vista ou eram evocadas: a Amadeo de Souza-Cardoso, a Teixeira de Pascoaes, a Alexandre Pinheiro Torres, a Agustina de Bessa Luís… Um “placard” a assinalar o “Prémio Eduardo Teixeira Pinto 2024”, concurso de fotografia, 9ª edição, outro a evocar “Espigueiros Levantamento fotográfico continuado dos celeiros elevados em Portugal”, com muitos participantes, registos sobre monumentos, como sobre a da fonte (e igreja) de S. Gonçalo, de estilo renascentista em cantaria pontuada (…) com pedra de armas da Ordem Dominicana ao centro e remate em frontão interrompido pela pedra de armas real de D. João III. Bica circular encimada pela data de 1545 (…) tanque retangular (…)”, ou as de vitrines com figurados comestíveis de “quilhõezinhos de São Gonçalo (…) bolos de trigo que se vendem na feira [do santo], em Amarante. Assemelham-se aos do carneiro (…). Já não se lhes liga superstição: as raparigas pedem que lhos comprem”: “Se fordes ao São Gonçalo / trazei-me um sangonçalinho / se não puderdes co’ele grande / trazei-me um pequenininho”. 

Não poucos fizemos jus às doçuras de Amarante, pendurando caixinhas coloridas, recheadas, enlaçadas, para degustar, partilhar, recordar, viver.

Tão rico, convivial e prazeroso dia, graças ao GAMT e a sua alma mater!

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Composição de texto e fotos de Manuel Duarte / Ver em Silva Manuel









Voluntariado GAMT na vigilância e acolhimento aos visitantes no Mosteiro de S. Martinho de Tibães - julho, agosto, setembro de 2024

Orgulhosos dos nossos Amigos voluntários, apresentamos uma cuidada reflexão da autoria da sócia nº 93, Graça Santos, e registamos os gentis agradecimentos endereçados pela Equipa Educativa do Mosteiro.

Sentimo-nos satisfeitos por colaborar e sentir que estamos a cumprir uma das nossas missões!


O Conselho Diretor do GAMT



"Mosteiro de Tibães - Agradecimento Voluntariado 2024

Terminou em meados de setembro passado mais um programa de Voluntariado do GAMT.
Ao longo dos meses de julho, agosto e setembro, foram muitos os sócios do GAMT que, ao longo de vários dias, ajudaram o Mosteiro de Tibães, pondo em prática as suas competências e conhecimentos, alguns deles adquiridos nas duas sessões de formação realizadas anteriormente no (e sobre) o Mosteiro.
 
Voluntariamente assumiram um nobre compromisso de defender o Património!
Abdicaram do conforto dos seus lares, dos dias que poderiam ter passado com familiares e amigos na praia ou no campo, para poderem ajudar a proteger «o nosso Mosteiro de Tibães».
 
Nestes meses específicos a equipa de vigilantes do MSMT, já de si muito pequena, fica sempre com menos elementos. Este ano ficou ainda mais reduzida, pois um dos nossos colegas teve que ser operado, ficando a recuperar em casa várias semanas.
Foram muitos os dias em que na bilheteira/loja apenas ficou um(a) colega e por isso, ao aceitarem o compromisso de fazer voluntariado, facilitaram muito as nossas tarefas diárias de funcionamento.
Foi sem dúvida alguma uma ajuda preciosa, quer na vigilância dos espaços interiores do mosteiro, quer no acompanhamento e orientação de visitantes, quer na vigilância à cerca, que, nestes meses de verão, está constantemente ameaçada pela possível chegada do fogo.
 
A opinião recolhida junto dos visitantes foi muito positiva, o que nos leva a querer continuar convosco esta iniciativa no próximo ano, caso aceitem, é claro.
 
Em nome do Património Cultural, I.P., do Mosteiro de São Martinho de Tibães e em meu nome pessoal, deixo o meu mais sincero agradecimento a todos quantos nos ajudaram nestes últimos meses.
Foi um gosto enorme poder estar convosco.
Estou/estamos ao vosso dispor.
 
MUITO OBRIGADO A TODAS E A TODOS!

JOAQUIM LOUREIRO
TEODEMIRVS - Tesouros da Herança Cultural Portuguesa – Divisão de Projeto 
MOSTEIRO DE TIBÃES"




"Reflexão sobre Voluntariado no Mosteiro de Tibães

Este verão, de 20 a 22 de Agosto, exerci com muito prazer um Serviço de Voluntariado em Tibães.
Confesso que, ao princípio, achei que me excedi quando me ofereci três dias inteiros e seguidos. Não obstante, o público era tanto, sobretudo à tarde - um número superior a 100/150 pessoas por dia - que me esqueci das reticências postas e acompanhei o melhor que pude as pessoas.
Fi-lo, umas vezes coordenada com outros colegas, quando estávamos escaladas várias pessoas, outras mesmo sozinha. Porém, sempre que era preciso, tinha pronta a ajuda do pessoal técnico, seguranças, secretaria...Todos foram preciosos para que eu pudesse desempenhar bem o voluntariado!

Para além de pequenos aspetos práticos, que entendo poderem ser melhorados e que foram apontados a quem de direito, saliento o seguinte:

- As pessoas, na sua grande maioria, durante a visita, manifestavam o desejo de poderem ser acompanhadas por uma pessoa-guia. Preferiam isso a seguirem, sozinhas, com um mapa - embora seja muito útil na ausência da primeira versão. 
Sugestão: Possibilitar, sempre que possível, uma visita guiada pela manhã outra à tarde, em cada dia (ainda que tenha de ter um preço superior ao ingresso normal);

- Neste período, a maioria dos visitantes que acompanhei eram de língua francesa (lusodescendentes, franceses originais, marroquinos, ...). Mas também muitos portugueses do Sul, espanhóis e outros, de diversas origens, que se expressavam em língua inglesa!
Porém, senti a necessidade de ser criada a versão-papel do guia em espanhol, também. 

- Em alguns, a visita ao Mosteiro, que consideravam excecional, criou a motivação para verem outros monumentos interessantes nesta região (pediam informações sobre isso): o gosto de ver um tão valioso imóvel, com tanta História, fê-los desejarem saber que mais coisas importantes havia na nossa região; 

- Uma grande parte dos visitantes era repetente ou desejava voltar, com mais tempo, com outros amigos/família para ver com calma, desfrutar, ...  
Daí, que sugiro que o bilhete deva valer por um dia, visto que as pessoas podem ter de sair para almoçar e voltar à tarde. Outra oportunidade seria a Hospedaria voltar a ter restaurante ativo...;

- O trabalho de motivação, esclarecimento à partida feito pela pessoa que está na secretaria/recepção é fundamental. Reparei, que no meu período, a pessoa ao serviço fez um excelente trabalho, nesse sentido; 

- Os visitantes ficavam maravilhados por verem quão grande era o Mosteiro, como estava bem conservado e desejavam saber se ainda havia uma congregação de frades a habitá-lo.
Seria interessante voltar a vê-los a circular por lá, não?! Ou inventar uns quadros encenados – recriações históricas - para alguns pontos de maior interesse e compreensão do Mosteiro (parceria com grupos de teatro locais, em momentos especiais, ...?). Um dos pontos de dificuldade na compreensão é a sala da “Tonsura”. (talvez precise de algo mais aquela sala, um pequeno vídeo em permanência?!!!)

- Adoravam escutar a música sacra/conventual (gravada) na zona da Igreja, assim como o silêncio e a mística de todo o espaço.

- Chegados à Sala do Capítulo, as bocas deixavam sair, quase sempre, um “uau”! Maravilhavam-se com a espetacularidade deste espaço! Depois, no hall onde estão os quadros da comparação do Antes e do Depois do restauro, ficavam em dor. A maioria pensava que se deveria ao incêndio. As mentes não queriam crer que fosse o abandono um dos maiores fatores. A seguir, pensavam em como está “Agora” e eram só louvores aos seus autores. 
Eu digo com eles: Parabéns Técnicos, Trabalhadores, GAMT!!!

- Os que se aventuravam na Cerca, saíam maravilhados e com esperança de ver o Escadório e Capela de S. Bento recuperados. Reconheciam (e aplaudiam) a tarefa megalómana para manter cultivadas e cuidadas hortas e jardins...
Sugiro, ainda, a possibilidade de se poder optar por uma visita acompanhada à Cerca (previamente combinada e, quiçá, paga ao Mosteiro ou ao GAMT).

- Também houve alguns visitantes que chamaram a atenção para a degradação de alguns pontos do edifício, onde parece haver entrada de humidade ou onde já seria necessário recuperar o recuperado!

- Em particular, chamou a minha atenção, o cuidado a ter por nós, os voluntários, o acompanhamento/vigilância de grupos numerosos, como as famílias, onde crianças curiosas e irrequietas forçavam tudo o que era porta fechada, proibida de abrir ...

Em conclusão: 
Sinto-me grata por ter tido esta oportunidade; ter sido formada; ter sido questionada pelos visitantes e, posteriormente, esclarecida pelos técnicos...
Ó quanto aprendi!
Até tive o gosto de ver cruzar o Escadório uma pequenina raposa!
O Mosteiro é uma inspiração!
Obrigada a todos.

GRAÇA SANTOS 
Sócia do GAMT n.º 93
Agosto de 2024"









Mosteiro de São Martinho de Tibães - Monumento Nacional

O GAMT regozija-se com a reclassificação do Mosteiro de São Martinho de Tibães, passando de Imóvel de Interesse Público a Monumento Nacional.

Partilhamos a notícia publicada no jornal Diário do Minho, do dia 11 de outubro, onde é anunciado que a Casa-Mãe da ordem beneditina se poderá tornar num grande ativo para Portugal.




Il Cammino di San Benedetto – Norcia, Subiaco, Montecassino (e Roma) - 24–28.mai.2024

Na sequência de visitas anteriores a mosteiros beneditinos quer no norte e centro de Portugal quer na Galiza, o GAMT – Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (Mosteiro de Tibães/Braga: casa-mãe dos beneditinos portugueses) - inseriu na sua agenda de 2024 o 39º percurso beneditino, numa viagem a Itália ao Il Cammino di San Benedetto.


Chegados a Fiumicino (Roma) por via aérea, dirigimo-nos para Spoleto (património mundial da Unesco), comuna da Província de Perúgia, na região da Úmbria, onde nos instalamos para a pernoita. Após o jantar deslocamo-nos ao velhíssimo centro urbano através da Via Monterone, passando pelo Arco di Druso e Germanico e Porta Romana (séc. III a.C.), visitando a Piazza del Mercato com seu antigo Forum (monumentale Piazza del Foro), subimos por junto à Piazza del Municipio e descemos à Piazza del Duomo. No regresso descemos ao subsolo, por elevador/escadaria (profunda) para observar uma das três vias urbanas de Mobilità Alternativa, uma via pedonal subterrânea que liga a Piazza Mereti à Piazza Campello.


No dia seguinte dirigimo-nos para Norcia (Núrcia), um célebre vilarejo cercado pela beleza do Parco Nazionale dei Monti Sibillini, desta mesma província de Perúgia. Atribui-se ao local ocupado pela igreja dedicada ao santo o sítio onde nasceu S. Bento, fundador da Ordem dos Beneditinos, e de sua irmã gémea Escolástica. Daí o destaque urbano para a Piazza San Benedetto, com a estátua do santo no meio e rodeada pelo Pallazo Comunale, Basílica de San Benedetto, catedral de Santa Maria Argentea, Fortaleza Castelina, Museu Cívico e Diocesano, parte deles com andaimes de obras de restauro em resultado dos desmoronamentos provocados pelo impactante terramoto de 2016. Percorremos a rua principal com seu comércio tradicional dedicado ao santo e aos mosteiros beneditinos, mas também às famosas linguiças, presuntos e salames, tidos como dos melhores (de que a Antica Norceria Fratelli Ansuini, com suas cabeças de javalis e porcos expostos na parede exterior, se destaca); esta tradição de norceria poderá ter resultado da convivência secular com a antiga escola de cirurgia local beneditina. Cruzamo-nos com numerosos religiosos e religiosas, de diferentes nacionalidades, que também visitavam aqueles espaços naquela manhã do nosso segundo dia.

Seguimos para Assisi / Assis, cidade mágica de S. Francisco, cercada por muralhas medievais espalhadas pela encosta do Monte Subasio. Percorremos suas ruas estreitas com casas de outros tempos, coloridas e floridas. Visitamos as Basílicas de S. Francisco (com seu túmulo) e de Santa Clara por entre muitos habituais forasteiros neste local (em viagem de outro grupo e por outra itinerância havíamos visitado esta cidade e basílicas em 2017).


Voltamos a Spoleto para pernoitar e no dia seguinte (terceiro) partimos para Subiaco. Iniciamos a manhã com visita (sempre visitas guiadas) ao Mosteiro de Santa Escolástica, um dos catorze mosteiros fundados por São Bento durante a sua peregrinação. É o mais antigo mosteiro beneditino da Itália e do Mundo, fundado no séc. VI, nas redondezas das ruínas da Villa de Nerone e o único que restou dos doze fundados por São Bento, próximos de Subiaco.


De seguida subimos este Monte Taleo, para visita ao Mosteiro construído no local do Sacro Speco (a Caverna Sagrada), na famosa e impressionante vertente rochosa daquele Monte. Dizem os textos que foi no Sacro Speco (séc. VI) que Benedetto se refugiou, viveu em solidão e em oração durante cerca de três anos, sobrevivendo com alimentos que lhe faziam chegar através de um cesto e corda. O Mosteiro foi construído a partir do séc. XI em torno da gruta, para a proteger e preservar. Este santuário é composto por duas igrejas sobrepostas, a do convento e a da gruta, que é o centro de tudo. A gruta permaneceu ao natural até ao séc. XVII, tendo-lhe sido inserida uma estátua representando São Bento, realizada por um dos alunos do grande Bernini, Antonio Raggi (1657). A igreja inferior é revestida a afrescos representado cenas da vida de S. Bento, a escada santa, o roseiral com seus espinhos com os quais quer S. Bento quer mais tarde S. Francisco resistiam a suas tentações. A igreja superior com seus afrescos do séc. XIII destaca “o mais antigo e único retrato de São Francisco de Assis” (realizado em 1223, ainda sem estigmas), bem como anjos serafins alados e, mais tarde, de outros relativos a milagres de S. Bento.

Seguimos para Fiuggi, para alojamento e pernoita.

No dia seguinte (quarto) partimos para Cassino, visitando a Abadia de Montecassino, tido por berço da ordem beneditina.  Esta colina rochosa ficou conhecida mais por sua abadia, a 1ª casa da Ordem Beneditina, fundada por S. Bento em 529. Foi para esta comunidade que a Regra, de “Ora et Labora”, foi escrita. Nos séculos seguintes a abadia passou por diversas vicissitudes de saqueamento (lombardos-570, sarracenos-883, tropas francesas-1799), de destruição - terramoto de 1349 - e de bombardeamento pelos Aliados em 1944 (nas imediações e encosta da Abadia são impressionantes os cemitérios de guerra que evocam a morte de 30 000 soldados desta última!). Usufruiu de uma época de ouro nos sécs. XI e XII com a aquisição de grande território e fortificações acasteladas. Após a 2º Grande Guerra foi reconstruída pelo Estado Italiano, que lhe pertence e gere atualmente, tendo o seu antigo território sido transferido para a diocese de Sora-Cassino-Aquino-Pontecorvo, exceto o terreno onde se situam a igreja da abadia e o mosteiro e sem a antiga jurisdição sobre as mais de cinco dezenas de paróquias que lhe pertenciam.


A tarde e a noite deste quarto dia e a manhã do 5º dia  foram de visita a património cultural, artístico e arquitetónico da velha capital do Império Romano e “Cidade Eterna”, por fontes, igrejas, catedrais, palácios, praças, obeliscos e avenidas, assim: a Fontana dei Quattro Fumi e o Panteão na Piazza Navona, Fonte de Trevi, igreja de Santa Maria della Vitoria (êxtase de Santa Teresa e a famosa escultura de Bernini), igreja de Sant’Ignazio di Loyola (que representa a exaltação da atividade apostólica  da Companhia de Jesus em todo o Mundo), igreja de San Luigi dei Francesi (igreja nacional de França em Roma e famosa pelo imenso recheio de obras-primas de grandes artistas - Caravaggio, Domenichino e Guido Reni), Basilica di Santa Prassede (em especial por suas relíquias e um retrato feito por Bernini na sua juventude), e igreja de Santo António dos Portugueses (Sant’Antonio dei Portoghesi) localizada na Rua dos Portugueses, fundada em 1445 no local de um hospício para peregrinos portugueses fundado em 1363, ornamentada com mais de trinta tipos de mármores  com imensa policromia, decorações em talha dourada e beleza de obras pintadas com destaque para santos e beatos portugueses, e com um novo órgão de tubos considerado único em Roma, mostra um pouco do que Portugal é e promove. Fomos recebidos pela simpatia e engajamento de sua “alma mater” Mons. Agostinho Borges, transmontano de Vila Pouca de Aguiar, que faz força para que este espaço e as iniciativas do Instituto Português (IPSA) espicacem a curiosidade de conhecer o nosso país entre os habitantes da capital romana e de quem os visita.


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Atividade do GAMT (Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães), 2024, com apoio de programa e logística de Pinto Lopes Viagens.

Este grupo de viagem era constituído por trinta pessoas a partir de Braga/Porto.


Texto (baseado no programa de viagem, nas audições dos doutos guias, na observação dos locais, na releitura de fotos, em publicações turísticas e na net) e fotos de


Manuel Duarte


Ver em Silva Manuel











“Passeio das Virtudes: Pessoa, Património e Virtude” - Mosteiro de Tibães - 25 novembro 2023

 

Da Arte da Palavra

Uma conversa com Mário Cláudio


No passado dia 25 de novembro de 2023, decorreu no Mosteiro de Tibães a 2ª extensão do Passeio das Virtudes: Pessoa, Património e Virtude, sob o tema Da Arte da Palavra: uma conversa com Mário Cláudio.

Esta é uma iniciativa do Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT) que nasceu no contexto do protocolo deste Mosteiro e da Direção Regional da Cultura do Norte (DRCN) com a coordenação da Formação Avançada em Psicologia Positiva e Logoterapia da Universidade Católica Portuguesa.

O evento contou ainda com a parceria com o Sindicato de Poesia, o Ensemble Il Filo d´Oro, a NuguelMusic e uma participação especial do movimento Face to Face, Book to Book (FFBB).

O Passeio das Virtudes tem como principal objetivo contribuir para a valorização do património do Mosteiro de Tibães alusivo ao tema das virtudes, assim como do património imaterial substancializado no testemunho de pessoas, que na sua forma de estar, ilustrem a virtude. Para o efeito, dedica-se à produção de eventos que enalteçam o valor da Pessoa, Palavra, Património e Virtude.
















“Passeio das Virtudes: Pessoa, Património e Virtude” - Mosteiro de Tibães - 04 novembro 2023

Da Arte do Som e do Silêncio

Uma visita à obra de Sofia Saldanha


No passado dia 4 de novembro de 2023, decorreu no Mosteiro de Tibães, às 17h30, a 1ª extensão do Passeio das Virtudes: Pessoa, Património e Virtude, sob o tema Da Arte do Som e do Silêncio: uma visita à obra de Sofia Saldanha.

Esta é uma iniciativa do Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT) que nasceu no contexto do protocolo deste Mosteiro e da Direção Regional da Cultura do Norte (DRCN) com a coordenação da Formação Avançada em Psicologia Positiva e Logoterapia da Universidade Católica Portuguesa.

O evento conta ainda com a parceria com o Sindicato de Poesia, o Ensemble Il Filo d´Oro e a NuguelMusic.

Começamos por recuar virtualmente até às primeiras décadas do séc. XVIII para nos envolvermos na ambiência única do Escadório das Virtudes da Cerca de Tibães e falar um pouco da sua história e simbólica. Partimos em seguida para uma breve visita à última edição do Passeio das Virtudes para, pela voz do Sindicato de Poesia, evocar espaços e histórias que nos inspiram. Altura ainda para ouvirmos um magnífico trecho de música do séc. XVII pelo ensemble Il Filo d´Oro.

Passamos então ao momento principal da extensão Da Arte do Som e Silêncio, o encontro com a obra de Sofia Saldanha. Autora de astutos documentários sonoros que despertam os nossos sentidos pela estimulação auditiva, Sofia cristaliza pela sua voz tempos e espaços da vivência de poetas como Fernando Pessoa ou Miguel Torga, transmitindo-nos de igual modo experiências sensoriais como uma trovoada. Descartando a imposição da imagem, os seus documentários sonoros constituem, por excelência, a celebração da palavra.