Marcos: documentos de jurisdição administrativa

Cruz de Pau 
Decorria o mandato autárquico, nos inícios da década de noventa, em Mire de Tibães, quando surgiu uma solicitação para atestar se determinada propriedade rústica se encontrava dentro da área administrativa da freguesia. Perante a existência de incertezas, era preciso que a equipa autárquica se deslocasse ao local e fizesse a devida verificação, in loco. E assim se procedeu. No entanto, devido à forte densidade de mato e floresta e à falta de um levantamento objetivo dos marcos delimitativos de freguesia, à época, só foi possível fornecer uma resposta por estimativa ao requerente.

Passaram-se os anos e já neste século, após um terrível incêndio que devastou a encosta do monte de S. Gens/S. Filipe, vertente da freguesia de Padim da Graça, até ao rio Cávado, ficaram visíveis muros divisórios de propriedades e outras pedras. Algum tempo depois, decorria o ano dois mil e dez, a equipa educativa do Mosteiro de Tibães teve a venturosa ideia de propor um safari fotográfico, denominado Caminhada com História, que abrangia também a zona ardida, para mostrar outro tipo de património existente na área do antigo couto de Tibães. Despertava assim o gosto pela descoberta.
Pedroso
Enquanto isto, nascia o Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães (GAMT), associação voltada para o apoio à antiga casa-mãe da congregação beneditina, o Mosteiro de Tibães.
Numa manhã de primavera, durante uma das caminhadas semanais para a manutenção do físico e da alma, realizando o percurso pedestre atrás referido, acordou a ideia do levantamento exaustivo, com suporte histórico, de todos os marcos do couto e de freguesia de Mire de Tibães. Tinha toda a lógica fazê-lo, pois a História grandiosa do Mosteiro e da freguesia de Mire de Tibães o justificava.

É então que o professor e historiador José Carlos Peixoto, filho da terra, e o seu companheiro das andadas, professor Florêncio Gonçalves, com a responsabilidade de serem ambos sócios do GAMT, se metem na ditosa tarefa de achar os marcos de demarcação de fronteiras. Cada dia, era elegida uma zona que segundo a análise dos tombos de delimitação e confrontação nos indicavam a sua existência. Qualquer descoberta era sempre um verdadeiro regozijo. Foi uma empreitada longa e árdua, mas sem dúvida reconfortante, na qual também colaborou o engenheiro José Rodrigues, igualmente sócio do GAMT.
O trabalho investigativo do professor José Carlos foi crescendo durante os dois anos de pesquisa, resultando numa produção científica exemplar que se deu à estampa em 2014 com o título Tibães: marcos e domínios apoiada pela Junta de Freguesia. A memória da terra ficou mais rica.
Cangosta de Sobrado
Contudo, para defender estes verdadeiros documentos pétreos é preciso promover a sua qualificação, criando dignidade no espaço envolvente, diligenciando a sua divulgação através de trilhos orientados e fazendo a sua classificação de interesse municipal. Não se trata de banais marcos de pedra, eles representam uma forma de organização do espaço administrativo sui generis por conter inscrições elucidativas fora do habitual. 

A Junta de Freguesia de Mire de Tibães já interiorizou este apelo e, com a colaboração do GAMT, tem vindo a fazer a sua divulgação ao longo destes dois últimos anos, através de caminhadas pelos marcos de demarcação, por altura da celebração do dia da freguesia, realizando os trilhos de São Martinho de Tibães e de Santa Maria de Mire, antigas divisões administrativas do couto de Tibães.
Segundo as notícias recentemente veiculadas pelos órgãos de comunicação social, o processo de qualificação patrimonial está a ser bem encaminhado, quer pela Junta de Freguesia de Mire de Tibães, que já elaborou a documentação requerida, quer pela Câmara e Assembleia Municipal de Braga, que aprovaram por unanimidade a classificação dos Marcos de Mire de Tibães como património de interesse municipal.
A criação de um roteiro museológico para a reabilitação deste acervo da demarcação está em andamento. Bem hajam, porque o património construído ou natural a todos pertence. Vamos preservá-lo.

Florêncio Gonçalves, sócio do GAMT

Agrafonte
Carregal

Carvalhinho


Fr. Cipriano da Cruz 300 anos: Oração e Arte

Na comemoração dos 300 anos do falecimento de Fr. Cipriano da Cruz, faremos no Mosteiro de Tibães (local onde professou e desenvolveu a sua arte aquele grande escultor beneditino), uma abordagem à relação entre o desenvolvimento do barroco, nas suas diversas manifestações artísticas e a liturgia pós-tridentina. A arte como instrumento ao serviço da fé, pois como ficou estabelecido na Sessão XXV do Concílio de Trento, em Dezembro de 1563, “As imagens de Cristo, da Santíssima Virgem e de outros Santos, se devem ter e conservar especialmente nos templos e se lhes deve tributar a devida honra e veneração…”.
Na nota biográfica que dele fez Fr. Marceliano da Ascensão, escreveu então que nasceu em Braga, sem no entanto, lhe assinalar data e local de nascimento. O seu nome era Manuel de Sousa, filho de Pedro Fernandes e de Inês Gonçalves, moradores junto à igreja de S. Miguel-o-Anjotendo recebido hábito de donato ou leigo do abade geral Fr. Cipriano de Mendonça em 3 de Maio de 1676. Nesta data era já “consumado immaginario” e pretendido por outras Ordens Religiosas, nomeadamente pelos cistercienses do mosteiro de Alcobaça. Preferiu o hábito beneditino, e sendo reconhecido como bom artista, deveria a sua idade andar então pelos 25 anos. Assim, o seu nascimento deverá ter ocorrido pelos anos de 1650. Diz-nos também Fr. Marceliano de Araújo, “que o nosso escultor “para outros Mosteiros fez também imagens”, além das que realizou para Tibães e São Bento de Coimbra”. Há outras obras ainda, nomeadamente em Coimbra, de sua autoria e também fora das Ordens Religiosas.
Nos anos 90 do séc. XVII trabalhou em Coimbra, onde realizou diversas esculturas para o Mosteiro de São Bento e não só, pois na capela da Universidade existe uma imagem de S.ª Catarina que Fr. Cipriano da Cruz executou pelo preço de 12$000 réis, conforme o mesmo escreveu num recibo datado de 28 de Julho de 1691.
Viria a falecer em 11 de Fevereiro de 1716 no Mosteiro de Tibães, tendo sido sepultado no Claustro do Cemitério: Acabou a vida em 11 de fevereiro de 1716 neste Mosteiro de Tibães em cujo claustro esta sepultado, sendo que os effeitos do seo oficio lhe levantão tantas estatuas no templo da fama quantas são as figuras que fes.
                                        (Fr. Marceliano de Ascensão) 
Em 12 de Fevereiro de 2016, 300 anos após a sua morte, prestamos-lhe a devida homenagem. (Mosteiro de Tibaes, às 21h30)

   Paulo Oliveira

Apresentação pública do Protocolo assinado entre a DRCN/Mosteiro de Tibães e o GAMT

Caros amigos:

É com todo o prazer que em nome do conselho director do GAMT vos convido para a apresentação pública do protocolo assinado entre a DRCN/Mosteiro de Tibães e o GAMT no âmbito do depósito, no Mosteiro de Tibães, dos livros doados pela família de Ademar Ferreira dos Santos ao GAMT. A sessão decorrerá no próximo sábado, dia 3, às 16.30 horas na sala do capítulo do Mosteiro de Tibães.

Lembramos que Ademar Ferreira dos Santos (9.12.1952/22.5.2010) ocupa lugar de relevo no panteão das memórias do Mosteiro de São Martinho de Tibães. Membro do conselho directivo da ASPA - Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural – desempenhou papel fundamental no resgate patrimonial do Mosteiro. Os seus artigos no Jornal Expresso de 27 de Março, 13 de Novembro e 10 de Dezembro de 1982 – “Mosteiro de Tibães: quando as árvores morrem de pé”; “Do Mosteiro de Tibães já se vendem as pedras” e “Mosteiro de Tibães: qualquer dia já não há nada para se vender” denunciaram, à escala nacional, a ruína, abandono e delapidação daquele património que amou e estudou profundamente. Investigando a história, trabalhando documentos e memórias, recolhendo depoimentos, produziu o notável trabalho “Mosteiro de Tibães (1834-1864), trinta anos para perder o rasto de uma memória de séculos” publicado no nº 8 da Revista Mínia, apresentada publicamente no Mosteiro de Tibães em Novembro de 1987. Durante vinte cinco anos acompanhou, apoiou e divulgou com entusiasmo todo o trabalho desenvolvido na recuperação e dinamização do Mosteiro de Tibães.
O GAMT aprovou o depósito desses livros no Mosteiro de Tibães não só para o enriquecimento da sua biblioteca mas também para perpetuar a memória de um dos combatentes pela sua salvaguarda e recuperação. Por sua vez a Direcção Regional da Cultura aceitou o depósito e a assinatura do protocolo aconteceu.

As atitudes que estão representadas neste protocolo, merecem as nossas presenças. Apareçam!

Pelo Conselho Director

Aida Mata

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO GAMT

Nos termos dos Estatutos do GAMT, convoco a Assembleia geral ordinária para o próximo da 3 de Maio às 15.00 horas no local habitual (Sala do capítulo do Mosteiro de Tibães).


NB: Se à hora indicada não houver quorum, a mesma Assembleia reunirá com qualquer número de sócios presentes, 30 minutos depois.

Ordem de trabalhos
1-Apreciação e votação de contas relativas ao ano de 2013;
2.Apreciação do relatório de actividades respeitante a 2013;
3.Apresentação e votação das actividades previstas para 2014;
4. Informações. // Outros assuntos.
Inf. suplementar comunicada pela Direcção do GAMT: 
Nesse dia, depois dos trabalhos do GAMT, será assinado o protocolo entre a DRCN/Mosteiro de Tibães e o GAMT para depósito dos livros que a família do Ademar Santos nos doou e que o GAMT decidiu depositar na biblioteca do mosteiro.

Com os melhores cumprimentos

O Presidente da Assembleia

     Aurélio de Oliveira

A NOSSA PÁGINA DE FACEBOOK


Visitem a nossa página de Facebook, façam um "gosto" e acompanhem as nossas atividades. Um espaço mais interativo, onde publicamos as notícias de todas as nossas atividades, assim como de atividades relacionadas com Mosteiro e de âmbito mais geral. 

Aguardamos a vossa visita.

Agenda de atividades do Mosteiro de Tibães - Mês Abril


Agenda de atividades do Mosteiro de Tibães - Mês Julho


ASSEMBLEIA GERAL

No termo dos Estatutos, convoco todos os sócios para a Assembleia Geral ordinária do GAMT ( Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães), para o próximo dia 4 de Maio, às 15h., no local da sua sede - Mosteiro de Tibães, com a seguinte Ordem de trabalhos:

1-Apreciação e votação de contas relativas ao ano de 2012.
2-Apreciação do relatório de actividades respeitante a 2012.
3-Apresentação e votação das actividades previstas para 2013.
4-Informações. // Outros assuntos.

NB:
Se à hora indicada (15h), se não verificar quórum, a Assembleia reunirá 30 m. mais tarde, (15,30h) com qualquer número de sócios.

Braga, 25 de Abril de 2013.

O Presidente da Assembleia Geral

Aurélio de Oliveira

Museu Abade Pedrosa


Mosteiro de Santo Tirso


O mosteiro de Santo Tirso que hoje vemos nada tem a ver com o da primeira fundação, de 978. Do segundo, fundado em 1092, conservam-se várias memórias, mas de tempos bem mais avançados.
O conjunto arquitectónico actual é sobretudo o reflexo das grandes alterações sofridas a partir de 1650, data em que com projecto de Frei João Turriano se começou a refazer a capela-mor e a sacristia. Depois foram acontecendo outras alterações importantes como a transformação do corpo da igreja que era de 3 naves num só. O revestimento de talha foi totalmente alterado:   a da capela-mor e altares do transepto é de estilo nacional, de artistas do Porto; a do corpo da igreja foi desenhada pelo beneditino Frei José Vilaça que também viria a fazer algumas intervenções no cadeiral do coro alto.
Como é natural, o mosteiro recebeu outras transformações ao longo do séc. XVIII, como a construção de hospedarias (1737-1739), biblioteca, etc. É um dos maiores mosteiros beneditinos nacionais pois chegou a ter quatro claustros.
Após a extinção das Ordens Monásticas, o convento foi comprado pelo Comendador José Pinto Soares e, mais tarde, em 1882, novamente adquirido pelo Conde de S. Bento para aqui fundar várias instituições de beneficência.

Bibliografia básica: CORREIA, Francisco Carvalho – O mosteiro de Santo Tirso. Itinerário de uma visitação. Santo Tirso, Ed. da Fábrica da Igreja de Santo Tirso, 2010.

PERCURSOS PELO PATRIMÓNIO BENEDITINO


O GAMT, dando cumprimento ao seu plano de actividades, vai promover a sua primeira visita de estudo, tendo como objectivo principal dar a conhecer espaços com história e memória essencialmente relacionados com a Ordem Beneditina, embora sempre que possível se aproxime de outros testemunhos do nosso Património Cultural e Natural que surjam ao longo dos percursos escolhidos.

Deste modo, a primeira viagem, a efectuar no próximo dia 23 de Março, terá como destino primeiro Santo Tirso, onde se ficarão a conhecer o mosteiro de S. Bento e o Museu Abade de Pedrosa.






Seguiremos depois para o Mosteiro de Singeverga, ocupado pela comunidade beneditina, cujas instalações monásticas, incluindo o arquivo e o local de elaboração do famoso licor, serão objecto da nossa atenção.





De tarde, aproveitando a proximidade do local, visitaremos a citânia de Sanfins (Paços de Ferreira), povoado fortificado da Idade do Ferro com fortes sinais de romanização.





No regresso far-se-á ainda uma paragem no monte de S. Bento das Peras, monte granítico, sobranceiro a Vizela, donde se avistam as paisagens deslumbrantes do Vale do Vizela e, "até o mar em dias límpidos". No cimo, a 410 metro de altitude, o santuário de S. Bento, e os grandes penedos pintados de branco, são testemunho do grande culto popular a S. Bento.

As visitas aos locais referidos serão sempre guiadas por especialistas.
O GAMT disponibilizará para a viagem, um autocarro, estando a partida marcada, impreterivelmente, para as 8.30 h. do  dia 23 Março, devendo os participantes  concentrar-se junto à portaria do Mosteiro de Tibães.

O almoço será feito em conjunto no mosteiro de Singeverga, pelo que os participantes terão de levar o respectivo merendeiro.
Os interessados em participar nesta visita, com lotação limitada a 50 lugares, deverão inscrever-se até ao dia 18 Março através do e-mail da associação amigosdetibaes@gmail.com  ou pelo telefone 966568028 ou ainda no Mosteiro de Tibães.
O preço por participante será de 5 euros para os sócios do GAMT e de 6 euros para os demais interessados.

VAI VALER A PENA PARTICIPAR NESTA VISITA!

Teatro de Marionetes




Dia 3 de Março - 15.30

Espetáculo criado pela Companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora onde as marionetas representam personagens importantes no quotidiano monástico de Tibães. Esta é a estória de um menino, o Hugo, que inicia uma viagem no tempo com destino ao século XVIII. O que ele não sabe é que o seu gato, o Branquinho, também o acompanha e isso poderá pôr em risco o seu regresso.


Local:  Mosteiro de Tibães, sala das Cavalariças (sala polivalente). 
Entrada paga: € 2,00 por participante, a partir dos 4 anos (inclusive).
N.º máximo de participantes: 50;

Público-alvo: Público em geral, a partir dos 4 anos de idade;
Inscrições: msmtibaes@culturanorte.pt | 253622670

Serviços Educativos em Espaços Culturais



O Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, promove no próximo dia 25 de fevereiro, pelas 14:15 horas, um encontro/debate, aberto a todos os interessados, que tem como tema " Serviços Educativos em Espaços Culturais: o que procura(m) o(s) público(s)?

Trata-se de um debate sobre as múltiplas ofertas educativas que os serviços de educação de diversos espaços culturais produzem, questionando a adequação dessa oferta ao tipo de público que os visita.

O debate estará centrado no lado do educadores, que foram convidados a apresentar os seus pontos de vista sobre todo o processo de preparação, marcação, adequação aos objectivos curriculares e avaliação das visitas que realizam aos equipamentos culturais.

No debate que se seguirá estarão também presentes responsáveis e técnicos de vários equipamentos culturais que desenvolvem actividades educativas regulares

Programa:
14:15 horas - Receção dos participantes
Apresentação por Paulo Oliveira / Joaquim Loureiro (Mosteiro de Tibães)

14:30 horas - O que procuram os públicos que visitam espaços culturais? Que expetativas? Que experiências? Que constrangimentos?
Intervenções de profissionais das seguintes instituições
- APPACDM, Pólo de Gualtar - Braga > Emília Martins;
- Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães - Braga > Isabel Pereira;
- E. B. 2,3 de Cabreiros - Braga > Justina Vilaça;
- Escola Secundária Alberto Sampaio - Braga > Maria Teresa Ribeiro;
- Jardim de Infância de Panóias - Braga > Maria Manuel Monteiro.

16:00 horas – Intervalo
16:15 horas – Debate com a presença confirmada de profissionais ligados às seguintes instituições:
- Centro Cultural Vila Flor – Guimarães;
- Museu de Olaria – Barcelos;
- Parque Biológico de Gaia – Gaia;
- Mosteiro de S. Martinho de Tibães – Braga.
(e outras que queiram comparecer)

18:00 horas – Encerramento

Destinatários: professores, formadores, educadores, animadores e outros agentes culturais de instituições públicas ou privadas
Acesso: gratuito

Inscrição: obrigatória em : http://goo.gl/JEftS
Outros contactos para inscrição: msmtibaes@culturanorte.pt |  253 622 670

Apresentação do Livro "O tempo dos alimentos e os alimentos no tempo"


Agenda de atividades do Mosteiro de Tibães - Mês Janeiro


Festa de Natal no Mosteiro de Tibães em tempos de monges



Como prescrevia o cerimonial beneditino, na noite de Natal, ornava-se e iluminava-se a igreja com a maior preciosidade possível. Para os ofícios das matinas, missa e laudes acendiam-se, para além das seis velas do altar-mor, em todas as capelas, altares da igreja e todos os mais lugares, o maior número possível de velas e brandões das tocheiras, de modo a que toda a igreja ficasse primorosamente iluminada. Os retábulos que tinham estado, durante o Advento, parcialmente cobertos com cortinas roxas ou azuis são descobertos após as matinas da Vigília de Natal e, na paramentaria, a cor branca passa a substituir as anteriores. Para o turíbulo comprava-se grande quantidade de incenso e para a caçoula de barro, aquecida por fogareiro a carvão, adquiriam-se toda a variedade de perfumes como pivetes, pastilhas, aromáticas como o beijoim e o cravo-da-Índia, e águas de rosas e de flor. Também as alfaias e altares eram rociadas com águas odoríferas. Testemunho da preciosidade da festa é a compra, em 1719, de seis tigelas e seis pratos da Índia, por 600 réis, para se purificar os dedos no dia de Natal e ainda, em 1765, da compra e douramento de 20 arandelas de bronze para a capela – mor, por 21.000 réis. Também a música era chamada para honrar a festa. Para além das matinas e laudes serem cantadas e acompanhadas a órgão, o mosteiro pagava a músicos oriundos do exterior para tanger e cantar. Ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, harpistas, contraltos tenores e triples (Segundo o dicionário de Raphael Bluteau, “das tres vozes que fazem boa consonância na Musica, Baxo, Tenor e Tiple, esta é a terceira e a mais alta”), enriqueciam os ofícios com a sua arte.

Às nove horas da noite, duas horas antes do horário normal, tocavam os sinos - um repique com todos os sinos e o dobrar do sino maior –para as matinas e o sacristão mandava iluminar a igreja e abrir as portas, para que o povo assistisse a toda a festa. Após o ofício, inteiramente cantado por todo o convento na capela-mor, começava a missa da meia-noite, a matutinal desse dia, realizada pelo abade com a maior solenidade. No altar, para além de todas as alfaias requeridas para o acto, colocava-se, ao canto da parte do evangelho, uma imagem do Menino Jesus deitado em bercinho ornado de flores artificiais, ladeada por dois ou quatro castiçais pequenos com velas. Durante a missa, e após a turificação, o Menino, depois de ser beijado no pé por todo o convento, era dado a beijar ao povo pelo celebrante que, no fim, com a mesma imagem fazia o sinal da cruz sobre o mesmo povo.







Mas a festa de Natal, não se limitava a este dia. Ela começava a 17 de Dezembro com as 7 antífonas maiores do Ó, assim chamadas porque têm início com esse vocativo, durante as quais era oferecido, pelo padre cantor, 1 ramo – o ramo de Ós – aos monges que levantavam a antífona; passava pela vigília de natal, dia, em que os monges, depois do ofício da prima, se dirigiam à cela do abade, para lhe apresentarem os votos de boas festas, e acabava em Janeiro, após as três oitavas, nas quais se destacavamos festejos do 1º de Janeiro e do dia de reis.

Nesta época, o rigor do jejum, apesar de ser tempo dele, era aliviado. Perus e leitões aparecem na mesa dos monges, que se deliciam, também, com sobremesa farta, onde abundam os variados doces secos e de calda; os farelórios – nome genérico para doces feitos de farinha e açúcar, como cavacas, fartens, etc. -, e os confeites, onde gastam montantes elevados que podem rondar a média de 50.000 réis.  A mero exemplo,informamos que só para o natal de 1720, compram 6 dúzias de morgados; 6 dúzias de luas; 12 dúzias de queijadinhas; 12 dúzias de massapães; 12 dúzias de cavacas e 10 arráteis de fartens de açúcar.

Nesta quadra, e à imagem das prendas dos dias de hoje, os monges e os trabalhadores permanentes do mosteiro eram obsequiados, com uma colação de natal que, nos século XVIII e XIX, era de 120 réis para os moços mais novos, como era o rapaz dos bois, e de 240 réis para os restantes trabalhadores, incluindo a lavadeira e de 2.400 réis para cada monge, com excepção da do abade geral e dos antigos gerais que recebiam 6.400 e 4.800 réis respectivamente.

E já que estamos a falar de prendas, penso que,hoje, o Mosteiro de Tibães bem merece e precisa, urgentemente, de uma. Se falasse, o mosteiro pediria, com toda a certeza, que lhe fizessem obras de manutenção nos telhados, para que a chuva deixasse de o incomodar.



Aida Mata

Agenda de 17 a 23 Dezembro


Agenda de 10 a 16 Dezembro


Agenda de atividades do Mosteiro de Tibães - Mês Dezembro


DIA DE S. MARTINHO

No próximo fim-de-semana, São Martinho é festejado no Mosteiro de Tibães! Vamos conhecer a vida do Santo e celebrar a sua memória.
Missa festiva; leituras encenadas; teatro de marionetas; música e magusto proporcionarão encantos, saberes e sabores.
O GAMT associa-se a esta festa, trazendo, para a tarde de Domingo, as cantigas e a música da Associação Cultural e Festiva Os Sinos da Sé.
 E já que estamos no universo da memória, deixemos os nossos dias e recuemos até aos dias dos monges de Tibães. Como viviam eles a festa a S. Martinho, o orago do Mosteiro?
Como Patrão do Mosteiro de Tibães a sua festa, era uma festa de primeira classe, como o eram o Natal, a Páscoa, a Ascensão, o Pentecostes e o Dia de São Bento.
A existência e solenidade da festa eram anunciadas pelo toque dos sinos. Os ofícios das matinas e vésperas eram anunciadas com três repiques de todos os sinos, incluindo a garrida, e com o dobrar do sino maior e a missa, com um repique breve e com o sino maior a correr por o espaço de um Padre-nosso. Também o sermão, se acontecesse de manhã, era anunciado, no dia antecedente antes das badaladas das almas com três repiques e o dobrar do sino maior por espaço de meio quarto de hora. Repetia-se no dia da festa meia hora antes de tocar à terça.

Nesses dias, a igreja e sacristia eram varridas e espanadas as paredes, os retábulos e os altares; os frontais eram mudados e limpas as pratas e os latões; os linhos eram postos de novo e os corporais lavados e engomados; era mudada e perfumada com cheiros a água benta das pias. Grande abundância de velas, rosas e ramalhetes de flores ornavam os altares. Caçoilas de faiança com as diferentes águas de cheiros - água rosas, água de flores, água de cedro – e as ervas e produtos aromáticos - alfazema, a carqueja, o cravo-da-índia, o beijoim, o âmbar e o almíscar - a par dos turíbulos com as pastilhas e o incenso, tornavam odorífera a igreja.

Com a igreja aberta, desde o toque das primas até ao das completas, o cerimonial litúrgico engrandecia-se quer no número de celebrantes e acólitos, quer nos paramentos, quer no percurso processional, quer com os cânticos e a música do órgão. As matinas e laudes eram inteiramente cantadas e os hinos, salmos e cânticos, próprios da liturgia desses dias, eram cantados com o acompanhamento do órgão.

Mas a festa também se celebrava à mesa. Como ordenavam as constituições beneditinas, durante as festas, por respeito da solenidade e trabalho dos monges e de acordo com a previdência do abade, dava-se de comer mais esplendidamente. Assim, a festa era também uma pausa no rigor alimentar da semana, dando lugar a uma refeição mais folgada, mais rica e mais abundante. Em Novembro, mês em que eram festejadas, para além do São Martinho, as festas de Todos os Santos, da Igreja e da Ordem Beneditina, e a folga do entrudo do Advento, eram feitas avultadas compras de carne onde, embora dominando a vaca, apareciam também a vitela, as galinhas, os perus e os leitões. Quanto ao peixe, compram, sobretudo, pescada e sardinha mas também congro, ruivo, raia, cação, polvo, robalo e pargo. Tudo acompanhado de bom vinho maduro. Os doces estão omissos nos registos de gastos. Aparecem apenas referenciadas as compras de leite, para o arroz, e dos figos e passas.

Vivendo intensamente a festa, os monges de Tibães libertavam-se, por um dia, da dureza quotidiana da clausura. 

Aida Mata